30 de Maio de 2020 |
Última atualização 0:0
Comentamos
Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
Mais vistos
20/12/2019
Luta pela igualdade também passa pela economia
Antonio Roberto Cruz

É afro-empreendedor, autor do Projeto Crespos - um caminho para a igualdade. É ativista do movimento negro de S. Paulo.

Nos anos 80 o Brasil se preparava para a redemocratização, a população se reorganizava ao som de Diretas Já. Franco Montoro venceu as eleições no estado de S. Paulo, honrando o compromisso de PARTICIPAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Apoiou a criação dos Conselhos da Condição Feminina, da Comunidade Negra, marcos na luta pela igualdade.

O Conselho Estadual dos negros propiciou intensos debates, contribuindo com os desafios do segmento. Questões ideológicas, políticas, partidárias, sociais, da educação, da segurança, moradia, sindicais, vieram à tona, convergindo os mais diferentes grupos, em busca de soluções, estratégias, encaminhamentos, entretanto não se prestigiou a organização econômica, com  grande  prejuízo na luta pela igualdade e desenvolvimento.

Primeiramente nas articulações para criação do Conselho, não se atentou para considerá-lo ELEMENTO DE DESPESA, item fundamental para obtenção de recursos próprios, dentro do Orçamento do Estado. Dessa forma o órgão ficou dependente da vontade política do Palácio dos Bandeirantes, impedindo a produção de projetos inovadores, limitando a autonomia, mantendo a histórica dependência de ‘passar o chapéu’.

Dos 20 conselheiros empossados na segunda gestão, apenas dois dedicaram-se ao afro empreendedorismo, sem apoio do órgão, criaram o CACE – Centro de Assessoramento a Empreendedores, que por alguns anos atuou cadastrando e buscando o crescimento de afro empreendedores. Décadas depois a proposta foi reiniciada pelo CEABRA, que ainda atua com tal preocupação.

Felizmente, os tempos hoje são outros. Número crescente de jovens negros que ingressaram nas universidades há duas décadas, se dedicam em maior número às questões de negócios, mercado, business, black money. Mais ainda estamos muito longe do despertar. Nossas lideranças políticas, religiosas, acadêmicas, profissionais liberais, sociais, comunitárias, ainda não se posicionam em conjunto sobre organização de nichos econômicos, que contribuam para consolidar avanços nas demais áreas.

Nossa herança história dificulta alternativas na disputa por poder. As mídias reproduzem relatórios de organizações internacionais, que identificam o Brasil como nação líder mundial em desigualdade provocada pela perversa concentração na renda. Documento da Oxfam mostra que apenas 6 pessoas no país, possuem patrimônio equivalente a 100 milhões de brasileiros, não por coincidência, quase o número de todos/as pretos e pardos.

Convidamos os seguidores da Afropress, para utilizarmos este espaço dialogando sobre alternativas. Em tempos de Economia Criativa pequenos negócios mobilizam grandes segmentos, movimentam importantes recursos financeiros, pavimentando caminhos para a igualdade.

 


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
Artigos Relacionados
O último suspiro
As correntes da escravidão no século XXI
Enfrentar os fascistas em todas as frentes
Nair de Teffé: a primeira caricaturista no Brasil
Twitter
Facebook
Todos os Direitos Reservados