4 de Agosto de 2020 |
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16/07/2020
Matulas da Nêga: comida com consciência na pandemia
Da Redação

S. Paulo – Com uma entrevista da chef Suellen Maristela, do Capão Redondo, extremo sul da periferia de S. Paulo,  e da produtora e terapeuta Sabrina Leal, Afropress iniciou nesta quarta-feira (15/07), as transmissões ao vivo do projeto “Diálogos para a Ação Antirracista” que pretende ouvir, conectar e dar visibilidade a lideranças das periferias de S. Paulo e de outras cidades brasileiras.

Suellen, que também é publicitária, padeira, confeiteira e produtora de eventos, é responsável pelo Projeto social “Matulas pela Vida”, área de responsabilidade social da sua pequena empresa de gastronomia e eventos – o “Matulas da Nêga” -  responsável pela distribuição de marmitas na periferia de S. Paulo. Sabrina é produtora e ativista social, militante da causa animal.

A chef (foto ao lado) explica o porque adotou a palavra matula para designar o projeto:

“Matulas, na tradição literal, é marmita. O nome foi escolhido não por eu vender marmitas. Tinha outro nome a empresa que era muito difícil de falar e só fazia sentido prá mim. Nessa imersão, eu preciso das minhas raízes da minha ancestralidade, nós paramos para fazer um estudo sobre o nome da empresa, e daí matulas foi o que me encantou e ele passa o que eu quero levar, que é exatamente poder dar um carinho, um afeto. Não é qualquer pessoa que te faz uma marmita. Então eu quero ser essa pessoa lembrada como uma pessoa que te faria uma marmita, com esse afeto, com carinho. Antigamente usava-se muito, em Minas ainda se usa o termo matula, que é a marmitinha que se levava amarradinha para as pessoas comerem, porque as pessoas moravam muito longe uma das outras. Tinha esse hábito de se fazer uma matula para as pessoas levarem”.

Sabrina e Suellen,na entrevista ao jornalista Dojival Vieira, falam do projeto, que já distribuiu cerca de 13 mil marmitas durante a pandemia, da importância da resistência e da luta contra o racismo nos projetos sociais e do episódio em que funcionários da plataforma Kickante, além de atrasarem o repasse do recurso para o projeto, trataram a chef de forma considerada por ela discriminatória.

Por conta do episódio, Sabrina pediu uma reunião com Ana Levy, estrategista de campanhas da Kickante para alertar sobre a necessidade de mudança de práticas que reproduzem o racismo entranhado nas relações, numa sociedade racista como a brasileira, e da necessidade de uma reeducação antirracista.

“Porque você não deixa prá lá, nem é com você.. Vocês são o lado mais fraco, mesmo que estejam certas, vocês vão perder. Eu ouvi muita coisa e resolvi que vamos enfrentar isso, sim”. Não basta ser contra o racismo, é preciso ser antirracista", acrescenta Sabrina (na foto abaixo).

A plataforma respondeu ao pedido de reunião, informando que o assunto está sendo tratado pela direção e ficou de dar retorno, o que ainda não aconteceu. Sabrina e Suelen disseram que insistirão porque entendem que uma empresa que intermedia a captação de recursos junto a projetos sociais na periferia precisa ter uma postura comprometida com o antirracismo rechaçando a reprodução de práticas discriminatórias.

Na próxima quarta-feira, 22/julho, haverá nova rodada do projeto "Diálogos para a ação antirracista", com a participação de outras lideranças da periferia que,  nesta pandemia, estão encontrando também na solidariedade uma forma de resistência ao racismo e à opressão.

A chef Suellen Maristela e Sabrina Leal integram a bancada permanente do "Diálogos" e também participarão do encontro. 

Veja aqui, na íntegra, a entrevista concedida ao editor de Afropress.

https://www.facebook.com/dojival.vieira/videos/3036734676374703


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