22 de Abril de 2019 |
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Jovem negro não teve chance. Foi morto por segurança com um mata leão
08/04/2019
Músico negro carioca é executado por militares do Exército com 80 tiros de fuzil
Da Redação, com informações das Agências e do G1

Rio – O músico Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, queria apenas chegar a um chá de bebê, para o qual a família foi convidada. No caminho, porém, na Estrada do Camboatá, em Guadalupe, Zona Oeste, uma patrulha do Exército brasileiro, responsável pela segurança pública no Rio, o executou com 80 tiros.

No carro, além de Evaldo, estavam sua mulher, Luciana Nogueira, o sogro, Sérgio, o filho de sete anos e uma amiga. O sogro foi atingido pelo festival de tiros de soldados do Exército. A mulher, está sob efeito de remédios e sob cuidados médicos; o menino e amiga não se feriram. Uma pessoa que passava pelo local também ficou ferida, sem gravidade.

Este foi o segundo caso de assassinato de um civil desarmado pelo Exército no Rio de Janeiro em menos de uma semana. Na última sexta-feira, Christian Felipe Santana de Almeida, 19 anos, também foi morto com um tiro no peito em Realengo. As ações criminosas de militares resultaram em 2 mortes de civis inocentes. Nenhuma das vítimas tinha qualquer passagem pela polícia. Ambos os casos serão investigados pela Justiça Militar.

A Polícia Civil realizou a perícia no local porque os militares tiveram dificuldade em realizá-la, segundo o delegado, devido à revolta dos moradores que testemunharam o crime. Leonardo Salgado, delegado da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, foi quem realizou a perícia. Ele disse que havia indícios para uma prisão em flagrante.

"Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados, e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]. Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares", afirmou o delegado em entrevista à TV Globo. 

Silêncio

O presidente Jair Bolsonaro, que na semana passada se congratulou com a Rota pela execução de onze homens acusados de roubo a agências bancárias em Guararema, na região metropolitana da Grande S. Paulo, e habitualmente loquaz quando se trata de elogiar a ação de militares, desta vez, silenciou. Segundo o porta-voz da Presidência, o genral Otávio do Rêgo Barros, Bolsonaro “não comentou” o fuzilamento do carro da família de Evaldo, em Guadalupe, zona norte do Rio.
 

O general limitou-se a dizer que “confia na Justiça Militar, nos esclarecimentos que o Exército dará por meio do inquérito e espera que eventos de igual similitude não venham a ocorrer”.

Revolta

Diante da repercussão do caso e das manifestações de indignação por todo o país e nas redes sociais, o Comando Militar do Leste (CML), informou na manhã desta segunda-feira (08/04) que prendeu dez dos 12 militares responsáveis pela execução do músico.

No primeiro momento a Comando mentiu informando que os agentes tinham respondido a "injusta agressão" de criminosos". Só nesta segunda, diante da repercussão, voltou atrás e disse ter identificado "inconsistências" entre os fatos reportados pelos militares e informou que os agentes foram afastados.

A Polícia Civil realizou a perícia no local porque os militares tiveram dificuldade em realizá-la, segundo o delegado, devido à revolta dos moradores que testemunharam o crime.

 

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