7 de Dezembro de 2019 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
22/11/2019
Violência e truculência fascista marcam o Dia da Consciência Negra
Da Redação, com informações das Agências e do G1

São Paulo/Brasília - Em plena Semana da Consciência Negra – em que se celebra a memória de Zumbi dos Palmares – o fascismo bolsonarista mostrou os dentes: em S. Paulo, em pleno Dia Nacional da Consciência Negra, o professor Juarez Xavier, 60 anos, docente do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) foi atacado a canivete, em Bauru, por um homem identificado como Vitor dos Santos Munhoz, após ser xingado de "macaco".

O agressor, preso em flagrante, foi levado à Delegacia, porém, foi liberado em seguida após pagar fiança de R$ 1 mil. O caso foi registrado como injúria racial e lesão corporal.

Os golpes de canivete provocaram lesões no ombro direito e no braço esquerdo, além de ferimentos na perna, abaixo do joelho. Segundo o advogado de Xavier (foto ao lado), Maurício Ruiz, o que houve, na verdade, foi uma tentativa de homicídio e não lesão corporal. Veja o vídeo: 

https://recordtv.r7.com/balanco-geral/videos/professor-universitario-denuncia-racismo-apos-ser-atacado-com-canivete-21112019

https://globoplay.globo.com/v/8107060/

Show de racismo

Na véspera, em plena Câmara dos Deputados, deputados da base do governo Bolsonaro, de extrema direita, protagonizaram um festival de racismo, vandalismo e violência contra a população negra brasileira.

O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) destruiu um quadro com a charge do cartunista Carlos Latuff, de uma exposição da Câmara que exibia o desenho de um policial com revólver na mão e um jovem enrolado numa bandeira do Brasil, caído no chão, numa alusão ao genocídio de jovens negros.

Veja o vídeo: 

https://www.youtube.com/watch?v=0XJLCSCoXqc

https://twitter.com/i/status/1196895840197136384

https://www.youtube.com/watch?time_continue=12&v=PiPwilWpgkc&feature=emb_logo

O título da charge era “O genocídio da população negra”, em alusão ao fato de que, dos mortos pela Polícia, cerca de 75% são negros. Outro deputado – o também militar, capitão Augusto, presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública  (PL-SP) - saiu em defesa do ato de vandalismo e discursou da tribuna dizendo que o cartaz representava um insulto à Polícia Militar e “ajudava a difamar e denegrir as instituições do Brasil”.

Fascismo sem retoques

Também integrante da tropa de choque do bolsonarismo, o deputado carioca Daniel Silveira (PSL-RJ), ocupou a tribuna para rebater dados do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) negando a existência do genocídio da população negra.

Silveira, que se notabilizou por destruir placas em homenagem a vereadora Marielle Franco, executada por milicianos no Rio, juntamente com seu motorista Anderson Gomes, atribuiu aos negros a responsabilidade pelas próprias mortes:  “Tem mais negros com armas, mais negros no crime e mais negros confrontando a polícia”", afirmou. O  deputado disse também que gostaria de “apertar a mão de Tadeu por ter rasgado a placa".

Em 2017 e 2018, negros representaram mais de 75% das vítima da letalidade policial, de acordo com o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança 2019. “Não venha atribuir à Polícia Militar no Rio de Janeiro as mortes porque um negrozinho bandidinho tem que ser perdoado”, concluiu o parlamentar.

Censura e ditadura

O autor da placa destruída por Tadeu, o chargista Carlos Latuff, conhecido em todo o mundo por denunciar situações de opressão vividas pelas populações mais pobres, disse que a atitude dos parlamentares bolsonaristas não o surpreendeu.

“Essa atitude de um policial tentando impedir que as pessoas vejam uma imagem alusiva à violência policial não é novidade para mim. Quando ele tem uma atitude típica de um policial militar truculento nos faz pensar qual era a atitude deles nas ruas enquanto policial. Se é capaz de reagir com violência contra uma charge, imagine o que poderia fazer nas ruas. Acho que quando um parlamentar dentro de uma Casa que deveria ser de debate impede o debate através da censura violenta, bruta, isso é muito grave. Com essa atitude, o coronel-parlamentar passou recibo. A charge trata da violência policial, mostra um jovem negro caído e um policial,  por conta das tantas mortes que já foram e são registradas de jovens negros e pobres pela Polícia. Isso lançado na Semana da Consciência Negra, aí tem um policial militar branco que vai lá e quebra. Ele comprovou o ponto de vista expresso na charge. Podemos classificar o ato do cornel deputado como violência policial, sem dúvida nenhuma", afirmou.

O chargista cobrou que o Parlamento não se dobre a essa truculência e vai pedir que o presidente Rodrigo Maia determine o retorno da charge à expoxição que deve ser o palco de debates. “Essa atitude do coronel deputado mostrou três coisas básicas. Primeiro, a polícia é realmente truculenta. Segundo, há um genocídio contra os pretos e os pobres. Terceiro, o Brasil é um país racista", acrescentou.

A charge voltou a ocupar o mesmo lugar no próprio Dia Nacional da Consciência, em ato com a participação de parlamentares e de ativistas do movimento negro e antirracista.


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