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28/11/2019
Bolsonaro nomeia capitão do mato para Fundação Palmares
Da Redação, com informações das Agências e do G1

São Paulo - Conquista do movimento negro e antirracista desde 1.988, quando foi criada no Governo Sarney“, a Fundação Cultural Palmares será ocupada por um extremista de direita nomeado pelo governo Bolsonaro que, entre outras aberrações, nega a existencia de racismo no Brasil, defende a extinção do movimento negro e, logo após ter a nomeação anunciada, passou a atacar lideranças e personalidades negras, entre as quais, o compositor Martinho da Vila.

Sérgio Nascimento de Camargo é um conhecido bolsonarista nomeado por suas opiniões exóticas que agradam o Presidente, racista como ele. Bolsonaro já usa, desde a campanha, outro negro - o deputado Hélio Negão, que chegou a trocar de nome passando a chamar-se Hélio Bolsonaro - como pano de fundo para encobrir suas opiniões e postura racistas. 

Negão aparece sempre atrás de Bolsonaro, no Brasil e no exterior, como uma espécie de estátua de cera - não fala, não esboça qualquer gesto, nem pisca; seu papel atrás do chefe - com quem viaja com frequência - é o mesmo, por isso sua cara é a mesma, nunca muda: negar a evidência do racismo do dono.

Vergonha

A reação de personalidades e lideranças negras à nomeação de Camargo não demorou e começou pela própria família. "Tenho vergonha de ser irmão desse capitão do mato”, foi como reagiu o produtor cultural Oswaldo de Carmargo Filho, ao tomar conhecimento de que o irmão Sergio havia sido nomeado o novo presidente da Palmares.

Sérgio é filho de Oswaldo de Camargo, poeta, ficcionista, critico, historiador, e um dos maiores nomes da literatura negra no Brasil. Durante a ditadura militar, uniu-se a intelectuais para um movimento de resistência ao regime e pela redemocratização. Oswaldo, de 83 anos, já foi articulista do Estadão e coordenou o Museu Afro Brasil, em São Paulo.

Renegando a trajetória de luta do pai, o novo presidente é bolsonarista militante e, entre outras aberrações, defende que “a escravidão era um negócio lucrativo tanto para os africanos que escravizavam, quanto para os europeus que traficavam escravos. A diferença é que os europeus não escravizam mais. Já os africanos...". (...)"No Brasil de hoje Zumbi seria um bandido ou defensor de bandido integrante do MST".

Indignação

Logo após ser anunciado o novo presidente da Palmares passou a atacar personalidades negras, entre as quais, o compositor Martinho da Vila, de 81 anos, a quem chamou de “vagabundo” que “deveria ser mandado para o Congo”. Martinho reagiu indignado, repetindo verso de música de Noel Rosa: “quem é você que não sabe o que diz?”

Entre as personalidades negras e antirracistas atacadas estão, Lázaro Ramos, Taís Araújo, Marielle Franco - a vereadora carioca do PSOL, assassinada por milicianos - Angela Davis, Gilberto Gil, a deputada Leci Brandão, o líder dos Racionais, Mano Brown, Emicida e Camila Pitanga.

Martinho (foto ao lado) disse que o bolsonarista “tem tão pouca cultura, que nem sabe que existe mais de um Congo na África! Quer me mandar para o Congo? Qual deles?".

O compositor acrescentou que a escolha de Sérgio Nascimento para o governo de Bolsonaro, porém, é coerente. "Bolsonaro pensa exatamente igual a tudo que o escolhido disse  por aí", ressaltou. 

Para Martinho, o escolhido é um "ignorante que sequer sabe que a Fundação Palmares é uma conquista do movimento negro no governo Sarney (...). Se ele não fosse uma pessoa desprezível, cantaria para ele o samba do Noel: "Quem é você que não sabe o que diz/ Meu Deus do céu que palpite infeliz".

Em relação ao racismo de negro contra negro, o sambista da Vila Isabel foi enfático: "Tem bastante, e é triste. O racismo é uma doença, e esse rapaz está em estado terminal", concluiu.

 


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