8 de Agosto de 2020 |
Última atualização :
Comentamos
Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
04/07/2020
BRASIL REBELDE: MANIFESTO EM DEFESA DA VIDA, DA LIBERDADE E DA DEMOCRACIA
Dojival Vieira

É Advogado, jornalista e editor responsável pela Afropress

“Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito” – Manoel de Barros. 

Nos quatro cantos do país, de norte a sul, de leste a oeste, há uma palavra de ordem que nos unifica a todos os brasileiros: FORA BOLSONARO!

O Governo de extrema direita, de natureza fascista, apoiado por militares vende-pátria, saudosistas da ditadura, traficantes da fé, defensores da violência e do armamentismo, respaldado pelos que negam a ciência e lançam o nosso povo à morte em meio a uma pandemia em que mais de 64 mil pessoas já perderam a vida (números de hoje, 04/07), é uma verdadeira tragédia  para o povo brasileiro.

Além da luta pela vida, e vida com dignidade que é o que nos interessa, trata-se de dar conteúdo a este lema para nos livrarmos de uma vez por todas da desgraça deste governo de milicianos que – dia sim, outro também -, conspira contra a democracia e a liberdade, a serviço do grande capital monopolista/financeiro. A hora é agora!

O Brasil, de uma só vez, precisa combater em três frentes, batalhas que definirão a nossa vida e o nosso futuro: em defesa da vida; em defesa do trabalho e do emprego e para prestar socorro aos milhares que enfrentarão a maior recessão da nossa história republicana; e a batalha pela democracia e pela liberdade.

Sob as terríveis nuvens que pairam sobre nós, só nos resta a inspiração na rebeldia do nosso povo como caminho para recuperar as forças e derrotar o inimigo que nos espreita e ameaça. Em plena pandemia, os levantamentos mais recentes apontam que a Polícia nunca matou tanto, em especial, os jovens negros e pobres, as vítimas preferenciais da sanha assassina e das balas perdidas do autoproclamado “aparato de segurança” do Estado.

Não, não permitiremos que continuem nos matando. Não permitiremos que destruam o nosso direito de viver com dignidade. Não deixaremos que a vileza prospere. O Brasil pertence ao seu povo honesto e trabalhador.

Vamos derrotá-los! Vamos vencê-los!

Nossa longa história de rebeldia

A rebeldia sempre esteve presente nos nossos longos 520 anos de história. Desde as lutas pela independência no período colonial, passando pela resistência ao escravismo ao longo de quase 400 anos, aos golpes e regimes militares, inclusive, o mais recente - a noite sinistra de 21 anos de ditadura que matou, torturou, cassou e desapareceu com os corpos de milhares de brasileiros, a cujos famílias foi negado o sagrado direito de enterrá-los, reconhecido por todas as culturas.

O Movimento Brasil Rebelde nasce, em primeiro lugar, da indignação dos brasileiros que recusam a rendição, a derrota e a morte anunciada. Em segundo, do direito sagrado à resistência, à desobediência civil e à insurgência diante de um estado de coisas, em que é a nossa vida e a nossa liberdade que estão em risco. Nasce da ousadia e se inspira na coragem dos combatentes que ao longo da nossa história, não vacilaram em recorrer, inclusive às armas, para defender a vida e a liberdade.

Estão presentes e vivas na memória do nosso povo, as revoltas populares – a Revolta dos Alfaiates, em 1.798, que tomou com pólvora e fúria as ruas de Salvador, na defesa de uma sociedade democrática e racialmente igualitária; a Cabamagem no Pará, a Sabinada, também na Bahia. É da Bahia que vem o exemplo e a inspiração de Maria Quitéria, considerada a Joana D'Arc brasileira.

Na memória do povo brasileiro ocupam lugar destacado os heróis de Palmares, sob o comando de Zumbi e Dandara; os mártires do genocídio indígena, representados por Sepé Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense”, líder dos Sete Povos das Missões, e pelo Cacique Serigy, que liderou, por mais de 30 anos, a luta contra os invasores portugueses pela preservação do seu povo, pela justiça e direito à terra, no atual Estado de Sergipe.

Estão, mais do que nunca vivas e presentes na memória do nosso povo, a Insurreição Praieira, em Pernambuco, levante armado liberal e republicano; a Revolução Pernambucana que, sob o comando de Frei Joaquim do Amor Divino, o Frei Caneca, proclamou a República, em 1.817, e organizou o primeiro governo brasileiro independente.

Foi na Confederação do Equador, do mesmo insubmisso Frei Caneca (que acabaria fuzilado, em 1.825), que se viu, pela primeira vez  em nosso país, um carrasco redimir-se do seu ofício vil e ignóbil, recusando-se a executar a sentença de morte, com o apoio dos demais detentos.

Estão vivas na memória do nosso povo, a revolta dos Malês, a Guerra de Canudos, sob a liderança de Antônio Conselheiro, que fez tremer os grandes proprietários rurais enfrentando o Exército, em  seguidas campanhas, expondo ao mundo a miséria em que viviam as populações marginalizadas do Sertão Nordestino e à desmoralização e a desonra, uma força armada muitas vezes superior.

Não esquecemos a Revolta da Chibata, do líder João Cândido, o Almirante Negro, contra os maus tratos na Marinha; a invicta Coluna Prestes e o seu heroico comandante, percorrendo 25 mil quilômetros por todo o país em combate com as tropas do Governo oligárquico  sem jamais ser vencida ou derrotada. O movimento insurgente da Aliança Nacional Libertadora, em 1.935.

No período mais recente, não estão esquecidas da nossa memória, a Guerrilha do Caparaó, a resistência ao regime militar, do Movimento Nacionalista Revolucionário que lutava pelas reformas de base, inclusive, a Reforma Agrária; e a guerrilha do Araguaia, que se levantou  na resistência armada ao regime militar assassino.

Também não esquecemos os patriotas que ousaram dizer não às humilhações e à opressão, como Marighela, Apolônio de Carvalho e tantos outros. Do mesmo modo, o povo brasileiro não esquece os que tiveram a ousadia de invocar o direito à insurgência, na figura mítica de Oswaldão, Lamarca e todos os que se levantaram contra a tirania, com o sacrifício de suas próprias vidas.

Reivindicar e honrar os que lutaram 

Reivindicamos e honramos todos eles, respeitando o contexto histórico e as condições em que viveram e lutaram, os erros, mas, sobretudo os valores que defenderam nas batalhas que travaram, todas elas afogadas em sangue pelos mesmos que hoje continuam submetendo o nosso povo aos sofrimentos de uma vida miserável e de servidão compulsória.

O exemplo dos heróis que viveram e morreram lutando por liberdade e democracia é a inspiração para que não continuemos assistindo passivos a matança generalizada de jovens e negros e pobres nas periferias das grandes cidades brasileiras, por esta verdadeira milícia armada em que estão sendo transformadas as Polícias Militares sob o bolsonarismo assassino e genocida.

O Direito à desobediência civil tem caráter jurídico e não precisa de leis para garantí-lo, é uma expressão do direito de resistência; trata-se do direito de lutar para garantir outros direitos básicos  - tais como os direitos naturais à vida e à liberdade, quando as instituições públicas não cumprem seu papel e não há meios legais para assegurar o seu exercício.

Está no mesmo patamar jurídico do direito de greve (para proteção dos direitos dos trabalhadores) e da Revolução para resguardar o direito do povo exercer sua soberania quando esta é ofendida e vilipendiada. Trata-se de ato legítimo que se fundamenta no princípio da justiça, legítima defesa contra a violência, a arbitrariedade e a injustiça. Trata-se da defesa do Brasil, ameaçado de se tornar colônia dos Estados Unidos, com a entrega das nossas riquezas e a nossa soberania aos interesses do imperialismo estadunidense.

Chegou a hora da resistência e da rebeldia do povo brasileiro se demonstrar com todo o peso da nossa fúria de um povo humilhado e explorado secularmente. Em cada bairro, em cada favela, em cada canto deste país, devemos levantar a bandeira da autodefesa por todos os meios e do direito sagrado à rebeldia, a desobediência civil e a insurgência.

VIVA O BRASIL!

VIVA O POVO BRASILEIRO E O SEU DIREITO À REBELDIA E À INSURGÊNCIA

MOVIMENTO BRASIL REBELDE

 

 

 


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
Artigos Relacionados
Testemunho para a história
O Correio Braziliense (1808 -1822) e a Escravidão no Brasil
Estudos culturais: O jazz na sala de Aula
O protagonismo do jovem trabalhador negro e periférico
Twitter
Facebook
Todos os Direitos Reservados