27 de Janeiro de 2021 |
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A ação brutal de dois assassinos covardes contra um homem negro
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05/01/2021
Vidas negociadas
Elisiane Ferreira

Vice coordenadora do GT de Ações Afirmativas da FNG

Em tempos de luta pela sobrevivência é necessário refletirmos se podemos e devemos valorar vidas, negociar existência individualmente pode vir a refletir em toda uma coletividade.

Cada vez mais se torna indispensável estratégias de ações geradas por reflexões e não somente as geradas pela revolta. 

A revolta é combustível inflamável que pode quando usada como única fonte de luta tornar-se  um incêndio com danos maiores que o próprio motivo que a gerou.

Sim, é preciso presevarmos nosso poder de indignação e de revolta, não temos mais espaço para humilhações cotidianas sofridas desde que nossos ancestrais foram capturados, sequestrados e trazidos como escravizados para o Brasil.

Embora não hajam estatísticas sobre todas as formas de discriminação sofridas diáriamente, para quem é negro ou negra é sabido que, sim, enquanto escrevo mais um de nós em algum lugar desse Brasil que em se plantando tudo dá, está sendo violado em seu direito de existir enquanto cidadão.

Nunca houve uma única resposta, não haverá um única estratégia, para extirparmos essa prática racista que estrutura nossa sociedade, mas sempre haverão possibilidades de resistirmos e estabelecermos novas estrátegias para velhos problemas, de refletirmos o quanto somos uma nação dentro de outra nação e fundar e, se preciso refundar, nossos movimentos raciais.

Coexistir com os não negros é a meta, uma luta antiracista precisa levar em conta que nossa existência enquanto povo negro depende de mexer em privilégios arraigados, depende do despertar das famílias negras que não compreendem a racialização, depende da nossa reflexão acerca de políticas partidárias de partidos que não foram fundados por nós e, por último mas não menos importante, depende de cada um deixar o seu eu e pensar coletivo.

A quem serve as vidas negociadas?

Quanto vale uma vida, quando quem morre somos sempre nós .

Resistir, Refletir, Agir.

Nota sobre a Autora

Elisiane Ferreira
Graduada em Serviço Social, Pós Graduanda em Políticas e Gestão em Serviço Social, membra Frente Negra Gaúcha, Ex-Vice Presidenta do Codene RS, ex-assessora técnica da Sedac/RS, colaboradora dos Cursos Oliveira Silveira e Maria Helena Vargas (Helena do Sul) - https://www.ufrgs.br/helenadosul/ no portal da UFRGS.

 

 

 

 


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
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