12 de Dezembro de 2018 |
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Manifestações em todo o país pelo Dia da Consciência Negra
20/11/2018
Discriminação contra negros por seguranças são rotina no Brasil
Da Redação

S. Paulo - Ao entrar numa loja de qualquer estabelecimento de comércio, bancos ou supermercados no Brasil, uma pessoa negra deixa de ser apenas uma consumidora para se tornar suspeita e, portanto, alvo de seguranças de empresas terceirizadas prestadoras de serviços: abordagens abusivas com conotação racista tem se tornado rotina e crescem com a impunidade.

Embora não se conheçam estatísticas a respeito do número de casos, estima-se que diariamente são registrados dezenas de casos como o que ocorreu com a dona de casa, Suelen Patrícia Souza de Almeida Gonçalves. No dia 02 de março deste ano, ela foi constrangida e maltratada quando fazia compras junto com uma irmã e uma filha pequena numa loja do supermercado Assaí, do Grupo Pão de Açúcar, em Sapopemba, Zona Leste de S. Paulo.

"Pretinha", "Favelada"

Dois seguranças se aproximaram quando Suelen  tentava pagar um chinelo que havia apanhado na gôndola para a filha e se colocaram à frente para barrar sua saída. Em seguida, vieram as ofensas: “favelada”, “pretinha”, “lixo” e até palavras de baixo calão.

Abalada, Suelen procurou a Polícia, que conduz inquérito em que estão sendo investigados os dois seguranças por crime de racismo. O supermercado, à época, com a repercussão da denúncia na TV, prometeu apurar o caso e afastar os acusados.

Há cerca de dois meses, a vítima constatou, porém, que nenhum dos agressores foram punidos: foram apenas trocados de loja, mas continuam prestando serviços à empresa. Confira:

http://recordtv.r7.com/balanco-geral/videos/mulher-denuncia-segurancas-de-mercado-por-racismo-21102018

Suspeito padrão

Em Sorocaba, Marcos Antonio Leandro dos Santos, no dia 11 de novembro do ano passado, teve sua caminhada pelo estacionamento do hipermercado Carrefour, na Zona Norte da cidade, interrompida por um segurança sob o argumento de que poderia ser confundido com um ladrão, por ser negro e está de shorts e camisetas.

Confira:

https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/vitima-de-racismo-em-hipermercado-pediu-afastamento-do-trabalho-por-vergonha-chorei-e-ainda-choro.ghtml

Tanto Marcos, quanto Suelen já constituíram advogados estão entrando com ações de indenização por danos morais contra o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour, ambos reincidentes em práticas discriminatórias contra negros. 

Os inquéritos que apuram os crimes na esfera policial ainda estão em andamento e até o momento os agressores não foram indiciados.

Reincidência

O caso desse tipo de maior repercussão ocorreu com o vigilante da Universidade de S. Paulo, Januário Alves de Santana, numa loja do hipermercado Carrefour, na Avenida dos Autonomistas, em Osasco.

Em agosto de 2009, Santana foi tomado por suspeito do roubo do próprio carro – um EcoSport – por seguranças. Dominado por seguranças, ele foi levado a um corredor e espancado a socos e pontapés.

Em consequência das torturas – pelos quais os seguranças foram indiciados pela Polícia – Santana teve o maxilar esquerdo fraturado em três lugares, passou por uma cirurgia no Hospital Universitário da USP.

Mesmo com todas as provas e a denúncia do Ministério Público, os seguranças foram absolvidos pela Justiça de Osasco e também pelo Tribunal de Justiça de S. Paulo.

Os desembargadores alegaram – falta de provas -, confirmando a cultura de impunidade que tem sido responsável pela frequência desse tipo de crime que duas coisas em comum: os agressores são sempre seguranças; e as vítimas pessoas negras e pobres.

 

 

 


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