17 de Outubro de 2019 |
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26/05/2019
Resistir enquanto é tempo e por todos os meios possíveis
Editorial

O Brasil vive a sua pior ameaça à frágil democracia conquistada após 21 anos de ditadura (1.964/1985). O governo da extrema direita, com viés fascista e sob tutela de militares, de quem se pode dizer pela presença na Esplanada, que já estão no governo, ameaça, dia sim, outro também, as precárias instituições construídas nos 30 anos, desde a redemocratização.

O governo Bolsonaro tem um único projeto:  a instauração da ditadura, da tirania aberta, como ficou demonstrado na convocação para esse insólito ato de apoio realizado neste domingo (26/05) em várias capitais do Brasil e em que, apesar das tentativas de disfarce, a única reivindicação da horda truculenta era o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Não é difícil compreender – e só os tolos e ingênos não enxergam – o que virá depois: a tirania, um fujimorismo à brasileira em que o presidente passa a tudo poder, sem freios, nem limites nem controles.

Em se tratando de alguém que passou para a reserva no Exército, após ser denunciado pelo plano de explodir bombas para conseguir o atendimento a reivindicações salariais nos quartéis, não é difícil concluir que entraríamos direto para o inferno de um país, sem liberdade, sem democracia, de terror e medo.

O compromisso de Bolsonaro desde os tempos em que serviu ao Exército sempre foi com a linha dura do regime militar, a turma dos porões, da tortura, alinhada com o ex-ministro Sylvio Frota, demitido por Geisel por se opor a abertura lenta gradual e segura que nos levaria a redemocratização após a noite de terror dos 21 anos de regime militar.

O grupo militar, derrotado à época, reagiu como a história registra: explodindo a bomba que matou a secretária da OAB, dona Lida Monteiro, no dia 27 de agosto de 1.980, explodindo bancas de jornais e planejando o atentado do Riocentro no dia 30 de abril de 1.981, véspera do 1º de maio em que – se bem sucedido – milhares de pessoas teriam sido mortas, criando-se uma situação de terror e pânico no país e abrindo espaço para a contra-ofensiva da extrema direita em disputa com a ala Geisel.

É inacreditável que as forças políticas de oposição no presente, se mantenham em estado de perplexidade, sem reação, quando o período que todos corremos está à vista. Bolsonaro, o mesmo que celebra a tortura e homenageia torturadores nunca teve compromisso com as regras da democracia. Desde sempre foi um adepto da ditadura e é a ditadura que pretende chegar agora na posição privilegiada de quem ocupa o centro do poder político.

Não é mais possível que tenha o tratamento complacente que está tendo. Por ora, apenas os estudantes, os professores e os trabalhadores da Educação, reagiram com manifestações massivas em repúdio ao corte de recursos nas universidades. É pouco.

Na verdade, o que é preciso não é resistir pontualmente às investidas que este desgoverno faz – e que tem na ameaça de acabar com a aposentadoria pública e adotar a excludente de ilicitude do pacote anti-crime de Sérgio Moro, o passe livre para a matança de pobres e negros pela Polícia - a expressão do seu único projeto e intento: liquidar com as regras que regem a nossa vida na democracia.

É preciso parar o país, de norte a sul, e mandar a Brasília, o recado de que o povo brasileiro não dará nenhum passo atrás. A Democracia é valor inegociável. A Constituição de 1.988 não será rasgada pelo aspirante a tiranete e seus apoiadores saudosistas do terror e da ditadura.

 


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