Mas, o 09 de Agosto deste ano faz com que, nós Povos Indígenas, que sempre pautamos nossas vidas de lutas pela terra, pela paz e pelos direitos humanos, não tenhamos o direito de ignorar ou de omitir-nos diante da grave situação vivida por irmãos árabes e judeus, em especial, crianças, velhos, mulheres e famílias totalmente desprotegidas e impotentes diante das luzes e fumaças que estilhaçam prédios e corações, num lugar onde consta o nascimento e a peregrinação de um santo, mártir ou profeta dos cristãos, Jesus Cristo, cuja base de vida foi promover a tolerância diante da diversidade e a justiça diante das desigualdades através do amor ao próximo, inclusive o inimigo.
Como Povos Indígenas, povos originários não podemos tampouco manifestar nossa solidariedade com nosso silêncio, pois como grandes defensores do meio ambiente e do respeito mútuo, é preciso demonstrar nossa indignação fazendo uma chamada a toda humanidade e, inclusive, à própria ONU e aos dirigentes políticos e governamentais de um lado e de outro, de que é preciso um cessar fogo, afinal de todas as maneiras, tanto judeus como árabes, estão pagando um alto preço quando apenas a vontade e a visão de um dos lados se impõe. Certamente os únicos que ganham com isso são as potentes indústrias e proliferadores de armas de guerra.
Quando nós, Povos Indígenas, clamamos que é preciso caminhar em direção a um futuro melhor, não temos essa certeza quando escutamos vozes quase mortas como das crianças que não tem mecanismos defesa, famílias que no sabem para onde correr ou buscar socorro cantam seu grito de dor.
Enquanto isso, as grandes potências seguem fazendo um verdadeiro jogo com vidas humanas e sociedades integrais, que diante de discursos pré-elaborados aumenta o sofrimento e a insegurança não somente na região, como em vários lugares da Terra.
Como Povos Indígenas fazemos um chamamento internacional de que esses loucos dirigentes devem parar com suas ignorâncias de falta de respeito pela vida, conduzindo suas máquinas de guerra como se essas fossem as únicas formas de conquistar respeito e força política: matando, matando, assassinando e promovendo verdadeiro genocídio e o ódio entre povos até mesmo irmãos.
Então, quem está certo? Os Árabes ou os Judeus??? Não temos a resposta, mas sabemos que devem parar de matar-se uns aos outros!
Nesse Dia Internacional do Índio da ONU, a voz indígena, a voz da Terra, a nossa voz proclamamos: Parem com as mortes inocentes! Parem de matar!
Uma paz substancial não se constrói, matando vidas!

Marcos Terena