Brasília – Carlos Terena, um dos mais importantes líderes indígenas brasileiros, criador dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, morreu neste sábado (12/06), em Brasília, por complicações da Covid.

A taxa de mortalidade do coronavírus entre esses povos é até 7 vezes maior do que a  da população brasileira, comparada em diferentes faixas etárias.

Quem é

Pertencente a Nação Xané, como se autodenominam os Terena, Carlos tinha 66 anos e foi o idealizador dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.

O velório ocorre a partir das 12 horas desta segunda-feira (14), em Brasília, seguido do sepultamento, às 14 horas.

Em Nota de Pesar, a etnia Terena divulgou que “hospitalizado desde o último dia 24/05, no Hospital das Clínicas da Ceilândia, Carlos Terena foi tratado da Covid-19 mas as inúmeras comorbidades contribuíram para o agravamento do quadro”.

O líder indígena foi transferido para o Hospital de Campanha do Autódromo, no dia 28/06, onde faleceu após uma parada cardiorespiratória às 22h38.

Carlos Terena nasceu no distrito de Taunay, município de Aquidauana (MS), e ainda muito jovem foi para a capital em busca de novas oportunidades.

Jogos Mundiais

Atento à pauta dos Direitos dos Povos Indígenas, Terena atuou em demarcações de terras e lutou pela preservação da cultura, esportes e tradições indígenas.

“O criador, idealizador e coordenador geral dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas cumpriu sua missão e partiu para o campo dos ancestrais. Carlos Terena deixa a esposa Terezinha Batista, as filhas Maíra Elluké e Melissa Mõngé e a neta Hanna Queiroz”, diz a Nota redigida por Maíra Elluké.

“Meu pai nasceu para fazer isso (os Jogos). Ele realizou um grande sonho. Ele criou com a intenção de unir os povos e, principalmente, de haver o intercâmbio cultural no sentido de que cada etnia, cada pessoa, cada indígena que participasse desse evento saísse de lá transformado, com a sua autoestima elevada, porque quando meu pai era jovem, ele sofreu muito preconceito por ser indígena”, afirma.

“Então, ele queria reverter tudo isso, ele queria fazer um festival, um encontro de cultura e mostrar a diversidade dos povos, e muita gente não sabe sobre a diversidade dos povos, muita gente vive no Brasil e não conhece a história do povo. Nós temos hoje 260 povos que falam mais de 200 línguas, para se entender a diversidade, o tamanho das populações indígenas. Com a Covid, com a pandemia, com essas questões políticas e econômicas do País, os nossos povos acabaram sendo dizimados, porque vacina não chegava, insumos, toda essa questão política e econômica afetou muito o acontecimento dos Jogos”, acrescentou para o jornal “O Liberal”, do Pará.

Considerado o maior evento desportivo-cultural indígena das Américas, Os Jogos tiveram a primeira edição, em 2015, com a participação de 23 etnias brasileiras e delegações de 22 países, reunindo cerca de 2.300 participantes.

A idéia de realizar os Jogos nasceu em 1996. Marcos, articulador político do evento, atuava como braço direito de Carlos deverá continuar o trabalho.