São Paulo/SP –  Lideranças do movimento negro de São Paulo realizarão nesta quarta-feira (23/02), a partir das 13h, em frente ao Ministério Público do Estado (Rua Riachuelo, 115 – Centro), manifestação para exigir providências da Procuradoria Geral de Justiça, no caso do assassinato de Lucas Henrique Vicente, executado pela Polícia no último domingo (20/02) na Vila Brasilândia, Zona Norte de São Paulo.

Lucas, um homem negro, foi morto com tiros à queima roupa por policiais militares quando já estava imobilizado, na frente da mulher, dois filhos e uma afilhada do casal. Ele havia saído da casa da mãe, de carro, quando foi abordado por uma viatura que lhe pediu documentos pessoais e do veículo.

“O policial estava bem alterado mesmo, e o movimento que ele fez começou a agressão. Ele só olhou para o lado assim, e o policial perguntou o que ele estava olhando. Ele disse que não estava olhando para lugar nenhum e aí já começou a discussão e a briga”, disse Letícia Ariel do Carmo, esposa de Lucas. “Xingaram ele várias vezes, disseram que preto tem que morrer mesmo, que é menos um para nós. Seu ‘macacão’, muita coisa”, completou Letícia.

Em 2.021, mesmo sob a pandemia da Covid-19, 570 pessoas foram mortas em ações envolvendo policiais civis e militares em S. Paulo.

SILENCIAR, JAMAIS

O historiador Edson França, principal liderança da União dos Negros pela Igualdade (UNEGRO), corrente política dos negros ligados ao PCdoB, disse que “atrocidades como essas não podem passar incólumes”. “Nós não vamos parar. Nós não vamos desistir. Nós não vamos aceitar ser mortos.  É preciso pedir que as pessoas vão às ruas. A indignação tem de sempre aparecer. A indignação não pode ficar guardada. Estamos falando de vida, de vida inocente, de vida de um trabalhador que foi executado em frente da sua casa, do seu bairro, da sua família, da sua esposa. O racismo não pode vencer. Há momentos em que a omissão é um incentivo ao arbítrio”, acrescentou.

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INDIGNAÇÃO

Depois de ser dominado, Letícia, a mulher de Lucas, começou a gritar pedindo que parassem de espancá-lo. Em seguida, chegou mais uma viatura. Um vídeo mostra o som da sequência de três tiros disparados à queima roupa, quando o homem já estava no chão.

Segundo França, na manifestação desta quarta serão cobradas providências das autoridades. “O Estado tem de responder por isso. O Estado tem de dar respostas. Inadmissível que vidas pretas sejam ceifadas tão facilmente, à luz do dia, sem pudor, sem medo, sem preocupação”, afirmou.

OUVIDORIA

O Ouvidor da Polícia de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, disse que há indícios de execução, porque os tiros foram dados quando Lucas já estava imobilizado. Soares quer que a Corregedoria também acompanhe a investigação e pediu a prisão preventiva dos policiais envolvidos.

Em nota a Polícia Militar informou que todas as circunstâncias do fato e a conduta dos policiais na ocorrência estão sendo apuradas por um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado pelo núcleo corregedor do Batalhão e acompanhado pela Corregedoria. O caso também está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil de São Paulo.