Meus amigos e minhas amigas,

Dois mil e quinze foi o ano em que pesou sobre a negritude brasileira uma série de derrotas atingindo o seu direito à cidadania e o direito à vida. Em plena segunda década e meia do século XXI, é como se nós negros, devêssemos favor ao país por existir. Como seres humanos e como cidadãos e cidadãs. Estamos sempre relegados um segundo plano nas decisões, programas e projetos sociais dos governos.

Foram inúmeras as derrotas sofridas pela negritude brasileira durante esse fatídico ano de 2015. Um ano pra a negritude e o povo nordestino a – as principais vítimas da discriminação, do preconceito e da exclusão – esquecer.

O mais trágico, no entanto, é a postura vendilhona, entreguista e nefasta dos movimentos negros e dos milhares de entidades civis e órgãos públicos. Em seus sites, blogs e páginas sociais, publicam e postam fotos, matérias e artigos em que jovens e crianças negras parecem felizes e sorridentes. E, como sempre, legendadas pela frase panfletária, que usam e abusam para engordar suas contas bancárias: Não ao Racismo!

1ª Derrota – O racismo que, vertiginosamente, fez a festa em 2015. Foram inúmeros os casos explícitos e em flagrantes. Os que ganharam destaque na mídia e teve ação da justiça, foram os casos envolvendo artistas e celebridades.

O entregador de Niterói que foi xingado, por um síndico de prédio, de macaco, crioulo e outras injúrias, imagens com milhares de acessos na internet, não recebeu nenhum ajuda, solidariedade ou apoio moral de nenhum movimento negro, órgão ou entidade de defesa dos direitos dos negros.

2ª Derrota – O genocídio de jovens negros pelas forças policiais dos Estados, principalmente e, sobretudo, pelo Rio de Janeiro e Bahia. Os governos desses dois Estados – patrões e sinhozinhos dos movimentos negros – patrocinam por meio de suas polícias uma declarada limpeza étnica, assassinando deliberadamente jovens negros, inocentes, pelo simples fato de estarem em grupos.  E a sociedade assiste consternada a centenas de negras mães chorando seus filhos cruel e brutalmente assassinados.

O mais revoltante é que esses governos genocidas são blindados, exatamente por aqueles que se apresentam como defensores dos negros e fomentadores da Igualdade Racial. São vendilhões da Raça Negra que se autointitulam líderes da negritude, mas contratados pelos partidos político os quais estão chafurdados, desempenham o nefasto papel de escudo de blindagem dos governos que exterminam jovens negros.

Logo no início do ano, no dia 6 de fevereiro, 12 jovens foram exterminados pela policia baiana, caso que ficou conhecido como Chacina do Cabula. No dia seguinte, os jornais estamparam a foto do Vovô, do Ilê Aiyê, sorridente ao lado do governador genocida.

No Rio de Janeiro, entre inúmeros outros casos de extermínio de jovens negros pela força policial, o governador genocida, Pezão, encerrou o ano com chave de ouro: no dia 28 de novembro, em Costa Barros, subúrbio do Rio, cinco jovens negros foram assassinados por policiais militares, com mais de 110 tiros de fuzil.

No Estado, a salada de frutas com tempero de inutilidades, (leia-se UNEGRO, MNU, Comissão da Igualdade Racial da OAB; CEDINE, COMDEDINE, PMDB Negro, movimento negro do PT, movimento negro da CUT, Geledés, entre outros lixos), todos agregados ao governador genocida, Pezão, calaram-se diante do extermínio dos cinco jovens negros e se mantiveram alheios a tão brutal acontecimento.

De maneira covarde e torpe esses vendilhões da raça transformados em urubus veem o racismo como uma carniça de onde se alimentam.

Se a balconista de uma loja constrange racialmente uma cidadã ou um cidadão negro, essa corja levanta voo e pousa, com suas insignificâncias, na hipocrisia das quais vivem e se alimentam. Fazem marketing racial, midiático e politiqueiro contra a balconista, levando suas lutas contra racismo ao extremo. Mas se os governos dos quais são pajens patrocinam genocídio de jovens negros essa súcia finge não ser assunto dela.

No âmbito federal, em momento algum a mucama de luxo, Nilma Lino, ministra da inutilidade chamada Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, ex-lixo politiqueiro, SEPPIR, tece qualquer comentário a respeito do extermínio desses jovens.

3ª Derrota – O desemprego que atinge implacavelmente os estaleiros – a construção civil e, principalmente, as refinarias e campos petrolíferos – que tem causado incomensuráveis danos sociais e financeiros a grande massa negra e nordestina, as principais atingidas.

São filhos retirados de escolas particulares; dificuldades em pagar o aluguel, as contas de luz, água e gás; dificuldade em colocar comida na mesa; dificuldade de locomoção para buscar emprego, devido os altos custos das passagens…

– Nunca negaiada passou tanto aperto na vida, como tem passado agora. – desabafou uma respeitada sacerdotisa do culto de matriz africana, dentro dos seus 85 anos, numa roda de amigos, na estação de trem de Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

Contrapondo essa trágica situação, líderes negros se apresentam nos seus sites, blogs e páginas sociais defendendo os governos e políticos responsáveis por essa tragédia social. E colocam a culpa na estrema direita.

É como se no Brasil, direita e esquerda estivessem em lados opostos. A realidade mostra que não.  Lula, Dilma, Zé Dirceu, Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Eduardo Cunha e Collor sentam-se a mesma mesa e se alimentam da miséria imposta ao povo negro e nordestino.

4ª Derrota – A limpeza ética que assola o país. No Rio de Janeiro, o Governador Pezão e o prefeito Eduardo Paes, ambos do PMDB, decidiram que jovens, cidadãs e cidadãos negros e nordestinos, oriundos da Baixada Fluminense, da zona da Leopoldina e zona oeste, onde é grande o contingente desses povos, devem passar bem longe da zona sul do Rio, onde está a grande concentração de da sociedade branca, classe média.

Além de impedirem o acesso de jovens negros às praias da zona sul, retirando-os de maneira violenta dos coletivos, esses dois faxineiros étnicos mudaram de maneira arbitrária os itinerário de várias linhas de ônibus que chegam dessas regiões. 

O trabalhador negro e nordestino tem que pegar no mínimo duas conduções para chegar aos seus trabalhos na zona sul.

sede da organização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro a limpeza étnica é visível e oficial. Encontrar um negro ou uma negra por lá só quando alguma delegação de país africano ou de negros americanos está em visita.

E os movimentos negros, as entidades civis e os órgãos públicos, ditos de defesa dos negros, o que fazem?  Absolutamente NADA! E olha que existem o PMDB Negro e o movimento negro do PMDB, dois lixos do mesmo partido dos faxineiros étnicos Pezão e Eduardo Paes (aquele que defende os três secretários acusados de baterem em suas respectivas ex-esposas).

Existem também no Estado e no município do Rio duas latrinas politiqueiras, agregadas a esses dois faxineiros: o CEDINE e o COMDEDINE, que também se omitem sobre a essa limpeza étnica patrocinadas pelos seus patrões e sinhozinhos.

5ª Derrota – A banalização dos cultos de matrizes africanas.

– Se no congresso nacional qualquer CPI termina em pizza, no meio da negritude brasileira, lamentavelmente, qualquer manifestação da raça termina em macumba. – Desabafou uma jovem negra durante as comemorações do dia da consciência negra, no Memorial Zumbi dos Palmares, na Praça Onze, região central do Rio.

Os movimentos negros e seus similares, de iguais inutilidades, conseguiram folclorizar e banalizar a maior e legitima herdade ancestral da Raça Negra que é o culto de matriz africana. Qualquer manifestação patrocinada por essa súcia de vendilhões da raça, mas sem nenhuma legitimidade abalizada pela negritude,  há sempre a apresentação fechando, fechando com chave de ouro, de senhoras paramentadas, dando show para uma plateia de curiosos. É como se aquela apresentação fosse uma manifestação folclórica, e não uma herança ancestral, legítima e sagrada.

São praticantes dos cultos de matriz africanas demonstrando como se banaliza e como folcloriza uma religião tão séria e importante para a raça negra; danças afros, sem qualquer conotação com os cultos, mal coreografadas; marchas disso marcha daquilo onde namoradas e esposas loiras dos líderes negros fazem selfie diante ao lado das Yalorixás; políticos brancos prometendo lutar incansavelmente pelos direitos dos nossos irmãos negros; e outras ações folclóricas, ou melhor, crioulices que só desmoralizam a Causa Negra, tendo como pano de fundo Yaôs, Yabás e Yalorixás se apresentando para fotos e bajulações…

Por causa desse criminoso uso indevido da religiosidade afro-brasileira, templos estão sendo destruídos, depredados e queimados; praticantes dos cultos de matriz africana estão sofrendo constrangimentos, sendo apedrejados, ofendidos e agredidos; pessoas sem qualquer compromisso ou devoção com a prática aos cultos de matrizes africanas estão deteriorando e distorcendo seus fundamentos e símbolos mais sagrados; a (o) umbandista ou a (o) candomblecista sentem-se constrangidas (os) e temerosas (os) de saírem à rua com seus paramentos religiosos, mesmo durante alguma celebração do seu orixá, por causa das ofensas verbais e agressões morais e físicas…

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A negritude brasileira não teve o que comemorar durante o ano de 2015. É um ano para ser esquecido.

Para os movimentos negros, porém, pelo que publicam e postam nas redes sociais a história é outra. Nossas conquistas históricas estão ai pra quem quiser ver.

É cara de pau ou falta de vergonha?

Abraços a todos (as).

Flávio Leandro

P. S. O título original do artigo é "2015 – as 5 derrotas que abalaram a negritude e decretaram a inutilidade dos movimentos negros".

 

Flávio Leandro