Mogi Mirim/SP – Depois de marcar um belo gol na partida em que o Santos venceu nesta quinta (06/03) por 5 a 2 o Mogi Mirim, o jogador Arouca, do Santos, foi alvo de insultos racistas por parte da torcida adversária. O caso de racismo no futebol acontece menos de um mês após, Tinga, do Cruzeiro ser hostilizado por torcedores peruanos em Partida pela Copa Libertadores da América e a menos de 100 dias do início da Copa do Mundo.

Arouca foi chamado de “macaco”, agressão partida de três torcedores que estavam nas arquibancadas do em estádio. “Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá prá jogar. Dando a entender que um negro igual a mim não serve para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros”, disse Arouca.

Racismo no sul

Ainda nesta quinta, o árbitro Márcio Chagas da Silva (foto) disse ter sido alvo também de manifestações racistas no jogo Esportivo e Veranópolis, em Bento Gonçalves pelo campeonato gaúcho.

“Teu lugar é na selva”, “volta pro circo”, foram as expressões ouvidas seguidas de gritos de “macaco”, segundo o árbitro. Ele também teve o carro amassado e riscado. “Chegaram a jogar banana no cano de descarga e por cima do carro”, disse o árbitro ao Jornal Zero Hora, de Porto Alegre. As agressões teriam partido da torcida do Esportivo que venceu o jogo por 3 a 2.

Confira, a íntegra da Nota divulgada pelo jogador após o episódio.

"Na saída do jogo desta quinta-feira, contra o Mogi Mirim, fui alvo de insultos racistas de um torcedor do time adversário. É lamentável e inaceitável que ainda haja espaço para esse tipo de coisa hoje em dia. Isso só mostra que o ser humano ainda tem muito a evoluir e a crescer, que não estamos nem perto de um mundo que viva a harmonia entre as pessoas e todas as suas diferenças. 

Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar. Dando a entender que um negro igual a mim não serve para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros. Não ouvi os gritos de 'macaco' que alguns repórteres disseram ouvir, mas, caso tenha realmente acontecido, é ainda mais triste. 

Eu sei muito bem de onde venho e de toda a minha luta para chegar onde cheguei. Por isso, sentir na pele o que aconteceu comigo hoje – logo depois do que fizeram com o Tinga outro dia e também do caso do juiz no Rio Grande do Sul – me deixa muito decepcionado. Acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo que deveria ser a essência do esporte.

O futebol é um espelho da nossa realidade, e isso não se resume apenas a xingamentos racistas. Continuam matando e morrendo por torcerem por um time diferente do outro. Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar. A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si. Somente discursos e promessas não resolvem a falta de educação e de humanidade de alguns" .

Veja o depoimento de Arouca em vídeo:

http://youtu.be/W0F0Vs7r15M

Da Redacao