Foi a afirmação eloqüente de que há coisas sobre as quais não se pode transigir, nem negociar: nossa autonomia e independência em relação a partidos e a governos, por exemplo.
Caminhando com as próprias pernas, sem as muletas de partidos, nem a “generosa” ajuda oficial, o povo negro que ocupou a Esplanada e deixou 300 cruzes fincadas em frente ao Congresso nacional disse muito.
Disse nas palavras de Mãe Beata “nós não queremos tolerância. Queremos respeito. Esse país também é nosso!”.
Disse nas palavras de Hédio Silva Jr. que “nossa independência é inegociável”.
Gritou pela historiadora Wania Santana nas portas da Fazenda que esta elite é incompetente e não fará país nenhum com a nossa exclusão.
Impôs-se, pela voz de João Jorge, do Olodum, que não vamos mais arredar o pé das ruas, quando o que estiver em jogo for os nossos direitos e a nossa vida.
Fez as contas, por meio de Edson Cardoso, do tanto que nos devem: R$ 67,2 bilhões, só pra ficar tudo igual, sem a cobrança dos juros e correção monetária.
Disse “Não passarão”, na postura altiva do sacerdote Marcos Rezende, quando a Polícia investiu provocadora.
Declarou com a serenidade de Hélio Santos “Palmares está aqui!”.
Cantou, com Alzira Rufino, palavras de ordem e de comando.
E fez um alerta, por intermédio de Hamilton Borges, de que não aceitamos mais o ofício de contar cadáveres de jovens negros assassinados. “Vamos reagir”.
Disse tudo isso e também cantou com alegria; jogou capoeira no Planalto e se fez, mais do que nunca, a cara e a expressão de que “o novo sempre vem”.
Por isso, o ato das entidades vinculadas ao PT e a base do Governo, do dia 22/11 não foi um contraponto. Foi um acréscimo. Apenas isso e por uma razão muito simples: não havia o que contrapor. A pauta esgotara-se.
Falar-se de divisão, racha é, por óbvio, impróprio. Não somos um Partido. Não temos um Partido. Nossa Causa é maior que todos eles. E mais: todos eles nos devem e não é pouco.
Nossa Agenda é maior; é soberana e própria. Não está posta à venda, nem é negociável.
No dia 16/11, todos os que caminhamos pela Esplanada, saímos com a doce sensação de estar rompendo barreiras, abrindo caminhos, fazendo História; assim mesmo, com H maiúsculo.
Agora, porém, temos uma tarefa de quem sabe caminhar com as próprias pernas, tarefa urgente e inadiável: evitar a dispersão a qualquer custo.
Como diz Marcio Alexandre, editor de Afirma e nosso colunista, daqui pra frente é só Marcha Zumbi + … 10, 11, 12, 13, 14,15… 20, 30, 300. Ate que o racismo seja definitivamente erradicado desta Terra e, tenhamos todos, condições de dizer aos nossos filhos: FINALMENTE VIVEREMOS EM PAZ!