As catástrofes naturais são difíceis de evitar. Mas, mesmo assim, temos avançado na mitigação de seus danos. A Ciência se empenha em encontrar soluções até mesmo para ciclones e furacões, como mostra um satélite que será lançado no ano que vem, capaz de estudar o regime de ventos da estratosfera, observados desde meados do século passado e que, estranhamente, agora parecem ter mudado o curso.

Mas há um tipo de catástrofe que parece não ter solução, advinda das limitações do nosso cérebro primata, que se manifesta negativamente, em todo o seu vigor, no que Umberto Eco chamou de “imbecis”. Não falo de imbecis como eu, que tateio em dúvida, pela vida. Falo dos imbecis que têm certeza. Os fanáticos.

Não quero incluir aí os religiosos, pois eles se sustentam na fé e a fé é a eliminação da dúvida. Falo dos fanáticos, à esquerda e à direita do embate político, que acreditam que os fins justificam os meios, dispostos a adulterar os fatos, tendo como norte apenas as suas crenças, que pretendem racionais. Difícil calcular quantos seriam.

Uma pista surge a partir do que estou chamando de Constante LG. Isso surgiu depois de a candidata a prefeita de Porto Alegre, Luciana Genro, ter dito que na Coréia do Norte as pessoas estão tão contentes com o socialismo que votaram, em recente “eleição” realizada no país, 100%, pela continuidade do comandante Kim, da Dinastia Kim que governa a pobre população há três gerações, com mão de ferro.

Como é difícil alguém dizer uma imbecilidade que supere essa afirmação e a Luciana tem 17% da intenção de voto, pensei que, se somássemos esse percentual ao dos eleitores de Bolsonaro, o correspondente à LG à direita, teríamos o que denominei, em homenagem à musa inspiradora, de Constante LG, ou seja, a percentagem de imbecis em uma determinada sociedade, que, com a soma, seria algo em torno de 30%.

Sei que o método não é muito rigoroso, sob o ponto de vista científico, mas é um ponto de partida, que me parece bastante razoável, em seus fundamentos. Ainda mais se considerarmos a letalidade dessa minoria.

Sem dúvida o volume de sofrimento desnecessário que impuseram à humanidade deve superar, em muito, principalmente nos tempos mais recentes, as danosas catástrofes naturais. Sua letalidade vem do seu poder de influenciar o conjunto da sociedade, como aconteceu na Alemanha Nazista. Deveríamos empregar igual esforço que a Ciência dedica aos fenômenos atmosféricos na prevenção da propagação dessa verdadeira praga.

Acredito que o antídoto principal seria universalizar a importância da dúvida, ensinando que não se deve acreditar muito no que se acredita. Seja como for, algo precisa ser feito. Aliás, já deveria ter sido. Talvez até seja tarde demais. Em novembro teremos o resultado das eleições americanas. Não dá sequer para imaginar o que irá acontecer se o Trump for o vencedor.

 

Carlos Figueiredo