Salvador – Pan-africanismo, resistência, inserção da África e dos países da Diáspora na rota do desenvolvimento e da inclusão, integração, unidade, diversidade. Foram esses os principais tópicos explorados na abertura oficial da II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora (CIAD), que está sendo realizada em Salvador de 12 a 15 de julho.
O evento, cujo tema é “A Diáspora e o Renascimento Africano”, reúne chefes de Estado e de governo, organismos internacionais de cooperação, como ONU e Unesco, ativistas e intelectuais negros. Segundo dados oficiais, mais de mil pessoas participam do evento. Uma das personalidades esperadas é a escritora estadunidense Tony Morrison, laureada com o prêmio Nobel da Paz.
A solenidade de abertura foi comandada pelo presidente Lula, que considera a realização da conferência um passo importante para a construção de políticas de cooperação e aliança entre Brasil e África. A mesa contou ainda com pronunciamentos do presidente da União Africana, Alpha O. Konare, de chefes de Estado e de governo e do cantor Stevie Wonder. O cantor realçou a importância do evento para a promoção da paz e contagiou o público com versos de uma música feita especialmente para o evento.
Entre as falas, impressionou o discurso do presidente de Senegal, Abdoulaye Wade, que exortou a todos os presentes a criarem estratégias para tirar a África da encruzilhada em que se encontra. Segundo o presidente senegalês, é preciso que seja construído um governo efetivamente continental, pois a lógica dos grandes (os países estabelecidos) é um dado inescapável do século XXI. Alinhado ao tema do evento, Wade disse que aposta no verdadeiro renascimento africano para que os países do continente encontrem o caminho do desenvolvimento. Na ocasião, foram feitas homenagens especiais ao presidente Léopold Senghor (póstuma) e ao senador Abdias do Nascimento, líder histórico do movimento negro brasileiro, um dos momentos mais emocionantes da solenidade de abertura.
Sobre a CIAD
Realizada pela primeira vez em Dacar (Senegal) em outubro de 2004, a Conferência busca reunir, promover e consolidar a contribuição dos intelectuais africanos e da Diáspora como veículo para idéias inovadoras, desenvolvimento e transformação social. Vem promovendo o engajamento contínuo, sustentado e construtivo de intelectuais e tomadores de decisão, dando prioridade a questões e preocupações enfrentadas por africanos e afro-descendentes em todo o mundo.
O evento é presidido pelo ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, representando a Diáspora, e Bience Gawanas, intelectual renomada que representa o continente africano.

Da Redacao