A informação sobre a morte de Cesária às 11h20 “por insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão cardíaca elevada” foi confirmada pelo diretor clínico do Hospital Alcides Gonçalves.
Segundo Gonçalves, desde que chegou ao Hospital na sexta, o quadro de saúde da cantora cabo-verdiana, era “muito complexo” e ela foi levada ao Serviço de Terapia Intensiva do Hospital.
Diva dos pés descalços
Cesária ficou conhecida no mundo inteiro como “A Diva dos pés descalços”, porque costumava subir aos palcos descalça, nasceu na cidade do Mindelo, na Ilha cabo-verdiana de São Vicente, em uma família de músicos.
O pai, Justiniano da Cruz, tocava cavaquinho, violão e violino, instrumentos que se tornaram características das Ilhas; o irmão, Lela, saxofone, e entre os amigos, estava o mais emblemático compositor cabo-verdiano: B. Leza. Cesária depois se lembraria do o universo musical em que nasceu e cresceu: “Tudo à minha volta era música. Cantava ao ar livre nas praças da cidade para afastar coisas tristes”, comentaria. Depois, aos 16 anos, nos bares e nos hotéis da cidade, até se consagrar como “rainha da Morna”.
Chamada carinhosamente de “Cise” pelos amigos, ela tornou-se o nome mais conhecido internacionalmente da música de Cabo Verde, nação africana que, em 1.975, conquistaria a independência de Portugal.
Em 1.985, depois de passar por momentos difíceis, inclusive com problemas de alcoolismo, quando até chegou a parar de cantar, Cesária vai para Lisboa e grava um disco que passou despercebido pela crítica, até ser descoberta em Paris, para onde partiria em seguida.
Em 1988 grava “La diva aux pied nus”, álbum aclamado pela crítica. Em 1992 gravou “Miss Perfumado” e, aos 47 anos, torna-se uma “estrela” internacional no mundo da world music, fazendo parcerias com importantes músicos e pisando os mais prestigiados palcos.
Em 2004 recebeu um Grammy para o Melhor Álbum, de world music contemporânea pelo disco “Voz d’Amor”.
“Eu preciso de quando vez da minha da terra, do povo que sou e desde marulhar das ondas”, confidenciou certa vez a cantora.
Em 2009, o Presidente francês Nicolas Sarkozy entrega-lhe a medalha da Legião de Honra, depois de uma intervenção cirúrgica que a levou a temer pela vida.
No dia 24 de setembro numa entrevista ao Le Monde a cantora afirma que tem de terminar a carreira por conselho médico.
Nesse mesmo dia, a cantora é internada no hospital parisiense de Pitie-Salpetriere, por ter sofrido “mais um acidente vascular cerebral (AVC)”.
Certa vez, Cesária disse que a Revista feminina Marie Claire, que “gostaria de ter nascido no Brasil”, país onde se apresentou em vários momentos, porque “talvez tivesse sido descoberta mais cedo”. A última apresentação no Brasil aconteceu na Virada Cultural de S. Paulo, em 2008, quando se apresentou com nomes como Jorge Ben, Zé Ramalho, Gal Costa, Mutantes e Marcelo D2.
A Voz da Morna
O correspondente de Afropress, em Londres, Alberto Castro, que é de São Tomé e Príncipe, expressou a tristeza pela morte da “Diva dos pés descalços”.
“Cesária era dona de uma voz e uma presença no palco únicas. Tive o privilégio de assistir a um dos seus concertos no Royal Festival Hall, aqui em Londres, onde ela cantou e encantou a platéia com a sua inesquecível voz profunda e melancólica. Era realmente “A Voz da Morna”, esse gênero musical cabo-verdiano próximo do Fado portugues, mas bem mais ritmado e alegre devido ao tempero africano”, afirma Castro.
O cantor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, expressou tristeza no seu twitter: “Cesária Évora era uma cantora que arrebatava com sua voz e doçura, tive o privilégio de conhecê-la aqui no Brasil e visitá-la em Cabo Verde. Uma mulher meiga e uma cantora forte. Cesária Évora é uma das maiores cantoras do mundo, que triste! Que sábado, acordar e saber de tantas perdas”.
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Com informações da Agência Lusa, Visão e Agências Internacionais.