Com o decreto que anula a decisão do Supremo que condenou o deputado bolsonarista Daniel Silveira a 8 anos e 9 meses de prisão por atentar contra o Estado de Direito e ofensas e ameaças aos ministros da Suprema Côrte, Bolsonaro avança mais um passo na escalada golpista.

Conta com o apoio de militares, que tem o golpismo no seu DNA como corporação – jamais foram legalistas e, desde o golpe da República, ignoram o que significa respeito à Constituição.

O golpismo, em marcha desde 2016 com o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, segue avançando posições e Bolsonaro e os golpistas que o apóiam se preparam para agir nos três cenários abaixo, que descrevo na impossibilidade de desenhá-los:

1 – antes mesmo de encerrada a votação, espalharão por suas mídias e redes sociais, a ocorrência de suposta fraude nas urnas eletrônicas que, aliás, já vem questionando há muito tempo. Será a senha para a mobilização de suas tropas, que inclui milícias e clubes de tiro;

2 – definido oficialmente o vencedor pelo TSE, que tudo indica será o ex-presidente Lula, declararão o não respeito ao resultado alegando a ocorrência da suposta fraude nas urnas;

3 – o terceiro e o último cenário sob o comando do próprio Bolsonaro, que, convém não esquecer, continuará presidente de outubro a janeiro de 2023, será a incitação dos seus apoiadores espalhados entre milicianos, pastores traficantes da fé e militares (inclusive nas PMs) para um movimento, em escala nacional, com o objetivo de espalhar o caos e impedir a posse do eleito.

Diante desses cenários fica difícil entender o que Lula, Ciro, e o que restou da direita democrática e da esquerda hegemonizada pelo petismo, estão esperando para tomar decisões corretas diante da gravidade do momento.

Ficam disputando pontos em pesquisas de opinião encomendadas pelo mercado, batendo cabeça numa espécie de realidade paralela, e não se dão conta de que, sem o povo unido organizado e mobilizado para ocupar as ruas de norte a sul do Brasil em defesa da ordem e da normalidade democrática, que inclui, por óbvio, o respeito ao resultado das eleições, caminhamos rapidamente para o caos e para um Estado policial de caráter abertamente nazifascista.

Espero estar errado, mas é bom acordar. Se é que ainda há tempo.

AUTOR: DOJIVAL VIEIRA, ADVOGADO, JORNALISTA RESPONSÁVEL E EDITOR DE AFROPRESS