O Supremo foi soberano em seu entendimento. A Lei não poderia ser igual para com aqueles que vivem em desigualdades, tem que haver mecanismos para que esses sejam treinados para viver em pé de igualdade com os demais.
As cotas são mecanismos de inclusão não são permanentes. Em vários outros países as experiências com as ações afirmativas tiveram bons resultados, mesmo os Estados Unidos onde hoje essas políticas não são mas executadas os impactos sociais e econômicos foram positivos e veja que estamos falando de uma nação extremamente conservadora, mas, não hipócrita quando o assunto são as relações raciais.
O povo brasileiro parece ter temor ao assunto, se diz um povo liberal, contudo reage de forma violenta quando se trata de dividir os privilégios e conhecimentos. Para sermos mais claros não sabemos viver com as diversidades, somos falsos em negar uma divisão histórica entre negros, brancos e índios e a discussão das cotas foi muito importante para falarmos o tipo de país que queremos deixar para outras gerações.
Os manifestos contrários às cotas foram bem recebidas, os argumentos contrários eram absurdos e chegavam a beirar do ridículo. Vindo de pessoas altamente qualificadas nas áreas acadêmicas, culturais e política, houve quem dissesse que as cotas poderiam criar conflitos dentro das universidades ou até mesmo uma guerra civil, algo inimaginável para nossa cultura.
Ouve uma advogada que comparou as cotas como tribunal racial. Pergunta: essas pessoas estão qualificadas em falar em nosso nome?
O brasileiro é, sim, – precisa admitir – preconceituoso, não está preparado para aceitar idéias novas, fato esse que assusta, primeiro, porque muitas vezes se trata, simplesmente de desinformação.
As cotas não são uma unanimidade, até mesmo o sistema o seu processo de seleção tem seus erros, mas, nada que desqualifique o sistema como um todo – são falhas humanas, com tempo poderão ser corrigidas.
Os favoráveis as cotas não precisam ser exatamente negros ou brancos, precisam ter olhos singelos, não corrompidos por uma falsa classe dominante que, com o passar de cinco séculos, não aceita quebrar o ciclo vicioso da dominação, nem abrir mão de privilégios.
Insiste em dizer que as cotas raciais acabariam com uma história tão “bela” e rica como a nossa miscigenação. Ninguém a favor das cotas nega que somos um povo mestiço, somente não consegue impedir as desigualdades entre negros, brancos e índios.
O Estado brasileiro deve muito mais a população negra, as cotas são apenas o inicio dessa reparação. Vale apenas lembrar que as cotas nunca serão eternas, até lá dá para reparar outro fosso: a educação pública. Segundo o IBGE, levaria 30 anos para termos uma educação de qualidade, conforme nós queremos.
Pesquisas de universidades apontam o bom desempenho dos cotistas, em sua maioria, oriundos da rede publica de ensino. Ou seja: a escola pública tem salvação.
O artigo agradece a todos intelectuais, artistas e outros movimentos sociais que fingem em falar em nome do povo sem o mesmo nunca ser chamado para o debate.
São esses: Ali Kamel (deve estar de traumatizado com sua terceira derrota), Yvonne Maggie (insegura, falsa e manipuladora), Demétrio Magnoli (arrogante, não gosta de ser contrariado), Roberto Militão (o capitão-do-mato), José Carlos Miranda (o bobo da corte e coadjuvante de capitão-do-mato), Roberta Fragoso (a vítima complexada,via as cotas como um modelo importado dos Estados Unidos,sempre era perseguida, coitada), Paulo Kremer (representante da KKK no Brasil). E demais demagogos que nunca escolheram o caminho do debate e sempre se preocuparam em chamar de racistas ou racialistas os defensores das cotas.
Sempre deve ser lembrado que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), foi a primeira universidade a aplicar o sistema, com uma Lei estadual ferindo autonomia universitária. Logo após veio a Universidade de Brasília (UnB) e, mais adiante, centenas de universidades passaram a adotar a reserva de vagas para negros e indígenas nos seus critérios de acesso. Se o projeto não fosse bom por que outras universidades adotariam o sistema?
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O título original do artigo é “A esperança venceu o medo: o Supremo avançou mais uma vez”.

Fabio Nogueira