Afropress – João, como é que nasceu a ANCEABRA e quem teve a iniciativa? Como se deu a formação da entidade?
João Bosco – A formação da ANCEABRA partiu, à principio, de forma até meio paralela, de Brasília, São Paulo, Minas e até do Rio de Janeiro. Nós somos militantes do Movimento Negro e também empresários. E vimos que os negros no Brasil, não tinham acesso à economia. Falamos de musica, dança; mas falamos pouco de economia, de acesso ao mercado. E aí, nós começamos a construir uma relação empreendedora nacional, com este intuito de preparação, formação, desenvolvimento e a inclusão deste setor negro na economia nacional. Este é o objetivo da ANCEABRA – a capacitação deste mercado nacional e internacional.
Afropress – A entidade esta hoje representada em quantos Estados?
Bosco – A entidade tem duas características: os CEABRA`s que estão presentes em seis 6 estados e as comissões provisórias, em mais 4 estados. O que é a comissão provisória? Durante dois anos a pessoa monta uma comissão provisória e o CEABRA e a ANCEABRA monitoram o seu desenvolvimento. E a partir disso, nós damos a carta da ANCEABRA para que a entidade comece a funcionar, se constitua.
– Quem são hoje os empreendedores,negros, os empresários negros, que tem se animado a se organizar para ter uma intervenção organizada na economia brasileira?
Bosco – Eu costumo dizer que a questão empresarial no Brasil chegou muito tarde. O Movimento Negro, eu posso dizer isso com muita tranqüilidade porque eu fiz parte disso, nós tínhamos a concepção socialista, no qual nós iríamos trabalhar, diretamente, com o fim do capitalismo e instalar um estado socialista. E isso afastou a esquerda e as entidades negras no geral, que tinham as concepções dos partidos comunistas que eram partidos de quadros e não partidos de massa, a constituir uma relação empresarial, porque não dá prá querer derrubar o capitalismo e construir uma relação empresarial. Então isso nos afastou, totalmente, da economia e hoje nós temos um acúmulo, positivo, do ponto de vista social e político, mas não do ponto de vista econômico. Coisa que não aconteceu no EUA e mesmo na África do Sul.
No processo de libertação de países como África do Sul, Angola e Moçambique, eles mandavam as pessoas para Europa para se capacitarem e serem gestores dentro de seu país. E nós cometemos este, grande equivoco ideológico, de achar que a economia não era para nós e nos habituamos a ser apenas empregados.
Eu costumo dizer que quando o trabalho não era digno, no tempo da escravidão, nos chamavam para trabalhar e quando o trabalho passou a ser digno, remunerado, nos mandaram para rua. Então eu acho que é este ponto que nós trabalhamos.
Afropress – Ou seja, é possível ter uma concepção socialista, mas entender que vivemos sob o capitalismo, portanto, temos que ter uma presença…
Bosco – Uma coisa não é diferente da outra. As pessoas compram tudo. Ao você dormir ou acordar você esta gastando. Isso nos colocou na marginalidade, fora dos acessos econômicos. Aí entra os acessos a educação, aos bens de consumo, acesso à moradia digna. É isso que eu quero dizer: parece que somos destinados à pobreza e à miséria. Nós temos que acabar um pouco com este “leque”. Nós temos que constituir – vou usar uma palavra que eu não gosto – uma elite política, uma elite econômica, uma elite de desenvolvimento.
Afropress – Quais os grandes projetos da ANCEABRA?
Bosco – Nosso primeiro grande projeto é a Capacitação Empreendedora e a Abertura de Novos Mercados. Quais? Por exemplo: Exportação; Mercados na Área de Turismo; Mercados na Área de Desenvolvimento Tecnológico; Mercados na Área da Química Fina; Mercados na Área de Agro- Negócio. Os negócios que estão no mercado. Nos preparar para nos inserir neles e disputarmos como qualquer outro cidadão.
Afropress – Do ponto de vista de peso na economia brasileira há dados para mesurar a nossa capacidade de consumo e como empreendedores?
Bosco – Nós vamos construir uma pesquisa por amostra. Mas nós não temos os dados, apenas alguns fatos. Se pegarmos os dados do IBGE 79 milhoes de negros, que bem ou mau, comem, vestem-se, andam de ônibus ou andam de carro, viajam. Então nós estamos instigando a economia nacional e o número por si só já consiste um número econômico. É nove vezes o de Portugal, por exemplo. Só para entender como está o mercado porque se você pesquisar e definir um mercado nisso, basta ver que as grandes empresas como a Unilever, Johnson, tem feito sabonete, desodorante e hoje temos a área de cosméticos.
Afropress – Então existe um mercado para o público negro e nós precisamos entrar nele?
Bosco – Nós não podemos ter apenas a dissidência do movimento negro, temos que ser mola-condutora do mercado para o público negro ou/e não-negro. A questão é essa. Nós temos que ser os donos dos negócios. Essa é a forma que fará gerar riquezas e administrá-las.
Afropress – Nisso você vê a nossa participação no mercado também como uma forma de inclusão?
Bosco – Sim, porque não é uma questão apenas negra mas de todo o país. Se O Brasil não incluir os negros no mercado nacional, nós não chegaremos a ser um país de 1º mundo. Como você pega 40 ou 44% da população e não a inclui economicamente? Você não vai virar um Japão, uma China ou uma Coréia. Então hoje a inclusão econômica dos negros é um problema para o Brasil, não apenas da população negra.
Afropress – Você estava me falando que, nós somos hoje 8 milhões de negros que ascenderam para uma condição de classe média. Isso é um poder de consumo extraordinário…
Bosco – Extraordinário! Isso mostra que uma família negra quando ela consegue um status social razoável, ela por si só distribui sua renda entre eles. Nós não somos egoístas. Não temos aquele padrão de classe média típica brasileira. Porque ela sabe que isso é a única saída e, geralmente, não perde o que conquistou. Porque foi conquistado à duras penas – como diz o dito popular. Nós entendemos que temos que aumentar este nicho de classe média e indo por baixo reduzir este índice de pobreza. Não vamos entrar no “gancho” da elite ideológica que diz que todos os negros tem que ser pobres e só vão ficar ricos quando todos os negros forem ricos. Nem todos os japoneses são ricos, nem todos os brancos são ricos, e nem todos os judeus são ricos. Mas existem classes sociais no Brasil e nós também não vamos ser diferentes. O que é preciso é que os negros que acendam precisam ter consciência racial e social.
Afropress – Ou seja, ter uma classe média negra forte é fundamental, primeiro para o país e, em segundo, para a própria população negra porque uma classe média forte, por sua vez, puxa os setores que estão no limite da pobreza.
Bosco – Lógico! Esse é o caminho certo. Porque senão você passa trabalhar a pobreza por si só. Então nós passamos a ter apenas trabalhadores, o que é digno – volto a falar -, e também as pessoas que atendem por aquelas políticas centralistas, que são importantes, mas não dão a “vara para pescar”, não nos dá autonomia. Ficamos a mercê da volúpia política.
Afropress – Na sua concepção, quantas gerações serão necessárias para que tenhamos no Brasil uma situação em que se encontre com maior assiduidade, por exemplo ao ir a um banco, um gerente negro, um dono de banco negro, o dono de uma grande rede de mercados negro? Em que horizonte você vê isso acontecer, pois por enquanto estas situações são raras.
Bosco – Eu irei te falar duas coisas. Primeiro, seremos mais rápidos do que os afro-americanos e mais competentes que eles. Vou dizer porquê. Os negros americanos construíram uma economia muito positiva, tanto que eles hoje são o nono PIB do planeta com 140 bilhões de dólares. E eles são apenas 11% da população americana, mas eles estão em todos os setores da economia americana porque através das políticas de cotas eles passaram a trabalhar outras situações do negro. Contudo, eles se isolaram ao não se integrar nem com os hispânicos e nem com os brancos. Nós vamos nos integrar, mas tendo ficando no comando. Vou citar um exemplo para você: há 10 anos atrás qualquer empresa de propaganda e marketing não queria ter negros na propaganda. Eles não falavam diretamente, mas diziam que nós não somos mercado consumidor. Através de uma pequena ação da Revista Raça Brasil, hoje nós temos um maior numero de negros em matéria de propaganda, aquém da necessidade, claro. Então a partir de ações diretas nossas, vão se constituindo uma metodologia muito rápida porque existe uma demanda reprimida para o Brasil. O país necessita de gerentes negros, executivos negros para prosperar. Nós temos toda uma dinâmica. Se você pegar os dados do Instituto Ethos que fez uma pesquisa com as 500 maiores empresas do Brasil, na qual não tem negros e nem mulheres, iremos notar que onde se trabalha a diversidade se cresce mais rápido e ficam mais estáveis no mercado. Tornam-se mais competitivas porque o que esta fora dela se vê dentro dela, através da propaganda, através da participação. Você chega em um local você vê um índio, vê um hispânico, vê um nissei, um sansei, um negro. As pessoas se sentem mais dentro delas e isso é uma tendência até dos mercados internacionais. Esse é o motivo pelo qual as multinacionais investiram aqui. Então eu sinto que nosso mercado será apto a partir desta dinâmica. O que precisa para isso é nós estamos no jogo. O maior exemplo disso é a seleção brasileira porque ela é pentacampeã e reconhecida no mundo por aplicar a diversidade em campo. Tem negros, brancos, mulatos. Isso prova que dá certo.
Afropress – Sempre que se fala nesta questão vem sempre o termo de alguns setores mais conservadores da sociedade que nós, ao combatermos a supremacia branca que o racismo materializa, caiamos na tentação da supremacia negra. Não é isso, naturalmente, que nós falamos.
Bosco – Esses setores jogam isso de uma forma ideológica e estratégica para eles. Porque o Brasil deu certo para eles. Pois de geração em geração os filhos deles comandam o país, de uma forma ruim, incompetente. E isso não deu certo e eles sabem que quando estes grupos de negros e brancos pobres passarem a ter acesso. Estes grupos terão todo o domínio dos setores que eles comandam. Porque somos mais competentes, não só os negros, mas todos os setores não incluídos da sociedade em geral. Nossos olhos são mais hábeis, aprendemos mais rápido porque nós já sofremos. Por isso, fazemos de um limoeiro um limonada. E partir disso, somos mais competentes que eles. Porque eles têm tudo para serem competentes. E ai que entram as políticas de cotas. Que são os melhores planos nas universidades federais e estaduais. E o nível de evasão é quase mínimo. Foi dada uma chance.
Afropress– Por isso o temor destas pessoas que resistem.
Bosco – Porque o mundo deu certo para eles. O Brasil deu certo para eles. E eles não estão preocupados com a exclusão social e a pobreza. Estão preocupados com a riqueza deles.
Afropress – Como a ANCEABRA esta discutindo, com o governo, a participação no PAC?
Bosco – Nós temos um grande apelo econômico e social de fazer um pacto de trabalho de infraestrutura e desenvolvimento em gestão ao P.A.C. Ele é muito importante porque coloca o Brasil em que temos de mais atraso no nosso crescimento que é a questão de infraestrutura. E nós nos aliamos ao P.A.C. na relação de infraestrutura urbana, na renda sobre favelas. Porque lá reside a comunidade negra. O Brasil terá, em 2020, 50 milhões de favelados. Nós dizemos que lá é o local onde os empresários negros, puxando os movimentos sociais, para desconstruirmos e erradicar a pobreza, dar uma vida digna para aquelas pessoas, ter um bom atrativo de negócios no ramo de empregos. Nós vamos construir uma boa relação empresarial porque vamos nos focar no PAC, através desta área.
Afropress – Como se dará esta particpação?
Bosco – É um 1% do P.A.C., em torno de 5 bilhões de reais, para ser usando de 3 a 4 anos. O nosso papel, junto as prefeituras, é fazer um trabalho de sensibilização destes setores que serão beneficiados, incluindo os nossos sociologos, engenheiros, arquitetos.
Afropress – Inclusive disputando, com as ações afirmativas, as concorrencias?
Bosco – Exato. Mas como aqui no Brasil é uma coisa lenta, iremos concorrer e no bojo das vitorias, implementaremos esta política.
Afropress – A ANCEABRA já esta fazendo estes contatos com as prefeituras?
Bosco – Sim, um dos motivos da minha vinda, nesta semana, a São Paulo é para construir esta relação.
Afropress – Exemplificando: As prefeituras que tiverem recursos no P.A.C…
Bosco – Na prefeitura que tem, nós vamos lá para apresentar o nosso projeto de desenvolvimento sustentável.
Afropress – Perfeito. Já existem consultoria montada para isso?
Bosco – Sim. São consultores nossos.
Afropress – A idéia é envolver, por exemplo,esse pessoal todo negro destas cidades e regiões?
Bosco – Regiões, Associação de Moradores de Bairro, Igrejas. Oferecer oportunidades de trabalho. A nossa idéia também é que da lista do governos as pessoas que estejam em projetos como o Bolsa Familia e estejam desempregados, façam parte da construção civil. Para fazermos uma inclusão social de verdade, como recorte etnico- racial e de gênero.
Afropress – Como você está vendo a mobilização desencadeada em São Paulo para pressionar o Congresso para aprovar o Estatuto e a PL das cotas?
Bosco – Eu acho que o Estatuto só não andou, como deveria andar, por falta de mobilização. Creio que se reunirmos as 100 mil assinaturas, como foi proposto, é um passo positivo. Ainda mais com eleições municipais em 2008. Então temos que trabalhar em cima disso. Acho que é fundamental, tem o nosso apoio e temos trabalhado nissso. Porque o que falta ali é vontade politica e ninguem vai se mobilizar sobre esta questão, depende de nós. Esta de parabéns, São Paulo tem que quadriplicar a Parada Negra, ela tem que chegar a 100 mil pessoas, porque é em São Paulo, na Paulista, ainda é o setor economico de referencia, não é mais em relação a outros lugares, mas do ponto de vista ideológico ele tem essa caracteristica. E nós disputarmos esta relação mais direta.
Afropress – A caracteristica da Parada Negra, diferentemente da concepção de Marcha defendida por alguns setores do Movimento Negro, porque nós vemos a Parada como sendo mais abrangente porque inclui outros segmentos da sociedade, inclusive não- negros. Enquanto a ideia de marcha, achamos muito fechada.
Bosco – Nós comungamos com essa idéia de Parada. Um evento claro é a Parada gay, onde, segundo a Folha de São Paulo, mais de 1/3 não eram homossexuais, eram apenas pessoas simpaticas a causa. Nós temos que trazer este publico.
Afropress – Nós queremos trazer todos os setores anti-racistas para marchar conosco porque esta é uma causa do Brasil. Essa é a ideia fundamental da Parada Negra.
Bosco – Correto e está de parabéns.
Afropress – Como é a sua participação no Conselhão e como você vê a importancia disso?É a primeira vez que isso ocorre, não é?
Bosco – Isso mesmo. O conselho é novo, começou no 1º ano do Governo Lula foi instalado no Congresso Nacional. A grande vantagem de estarmos la é que temos acesso a todas as políticas economicas que o governo lança e podemos intervir apartir disso. Um exemplo para você é que nós tivemos uma unidade de contestação sobre a questão economica que virou uma Agenda Nacional de Desenvolvimento no qual incluimos o item Raça/etnia e gênero. Isso é importante. E a partir desta nova concepção nós conseguimos trabalhar no P.A.C.. Políticas públicas para este tipo de setor. Não é política exclusiva para negros, não existi isso.É um projeto nacional, mas por meio de política especifica você passa a ter uma ação mais direta, urbanização de favela, melhoria no transporte público, a necessidade de geração de emprego e renda. Você começa a melhorar a vida como um todo.
Afropress você esteve na Bolsa hoje com João Carlos tratando de um projeto. Que projeto é esse?
Bosco – É um projeto chamado Nova Bolsa. Veja bem, a Bolsa de Valores partilha desta nova revolução economica e passa a ter uma acão mais popular. Onde eles querem popularizar a participação dos praceiros da bolsa. E por ser seu local de trabalho as finanças de mercado, nós temos que preparar os jovens negros para eles mais tarde quererem montar corretoras, aplicar na Bolsa e aprender a linguagem economica. Esse é o nosso papel através de cursos de capacitação. Um público especifico, com foco.
Afropress – A nossa presença na mídia hoje ainda é bastante deficiente, é bastante frágil. Como você avalia a nossa presença na mídia e projetos como a Afropress que tem esse trabalho de dar visibilidade aos nossos assuntos?
Bosco – Veja bem, nos temos que construir a relação da mídia. Eu acredito muito na TV comunitaria, na Rádio comunitaria e na impressa escrita via internet. A Afropress esta de parabens porque é o único veículo negro, hoje, com a rápidez e agilidade que se passa neste dia-a-dia. Então para nós o 4º Setor – que para mim é a mídia- é fundamental pela imagem e pela forma de discussão na comunidade negra. Se você pegar as redações de jornais, revistas e TV é de classe média alta e de pessoas com pouca visibilidade social. Portanto, projetos como a Afropress traduz a necessidade de ampliar as discussões no Brasil e realmente criar alavancas plurais e democraticas nessa questão da midia. Para mim isso é fundamental.
Afropress – Ainda existe, por parte de alguns setores do Movimento Negro, uma dificuldade, muito grande, em superar divergências – artificiais- provocadas por questões partidárias, ideológicas, enfim. Você vê possibilidade de uma união acima destas divisões – divisões que só prejudicam o processo de unidade para a conquista-?
Bosco – Na realidade nós temos um erro no Brasil de acharmos que nós pensamos iguais. Nós não pensamos iguais, mas temos que ter ações iguais. A Condolessa Ricce, com certeza, não pensa como o Obama, nem como a Janet Jackson, mas eles tem uma ação negra igual e é isso que eu quero colocar. Nós temos que construir esta mentalidade. Ninguem tem que pensar igual ao outro, mas temos que term uma ação igual. Se é o nosso caminho: Unificar na prática. Aquelas pessoas que tem no narcisismos a política individual que estão preocupados com a propria iniciativa, estão morrendo. Eles estão perdendo espaços e foco porque eles tem um belo discurssos e começam com um projeto que acaba ali na esquina. Porque não sustentabilidade, não tem conteudo ideologico, não um credibilidade moral e ética. Então eles morrem. Mas ai os caminhos vão se juntando. Não adianta achar que todos temos que pensar igual. O que não acontece no mundo branco, não vai acontecer no mundo negro.Como jogam isso para nós é uma armadilha. Daí vão virar para nós e dizer “Ta vendo aquilo não deu certo”. Nós temos que avaliar o que deu e o que não deu certo. Então eu acho que tem de tudo na vida, de tudo no mundo e devemos estar prontos para tudo. E fazer as coisas.
Afropress – Qual é a avaliação do empresário, empreendedor negro e da ANCEABRA, com relação a este governo?
Bosco – Neste governo nós tivemos avanços muito contundentes e cabe a nós ocuparmos os espaços. Como ministério mesmo, hoje temos a SEPPIR ligada ao gabinete da Presidencia da República e de uma certa forma indicou o Presidente do supremo, Joaquim Barbosa, e dois desembargadores negros.E das políticas monitoradas pela Presidência, uma das 10 políticas é a política de quilombos. Então o governo tem aberto as portas para nós e agora cabe a nós fazer desta porta, uma porteira – desculpe-me pelo termo-. Mas é trabalhar em cima disso. E ele tem feito políticas.Por exemplo ele vai aceitar 6 mil famílias através do crédito fundiário, num projeto chamado Serra Negra. Então tem uma série de coisas que podem ser construidas por meio disso.
Nós temos o maior numero de negro na cupula do governo, temos a MAtilde, Gilberto Gil, Marina Silva e o Orlando que deu um show de administração pegando uma obra falida que era o PAN e, em 6 meses, transformou nessa beleza que estamos vendo agora. Hoje, com certeza, o Orlando é o maior expoente do Governo negro do Brasil.
Afropress – Quais os projetos que a Ancebra tem para São Paulo?
Bosco – Nós temos a capacitação, não só em São Paulo mas no Brasil. Nós entendemos que São Paulo é a maior economia do Brasil, ela é fundamental e deve ter o maior CEABRA do Brasil. Nós temos esta concepção e fazemos jus a isso, atraves do trabalho do João Carlos. E porque tudo passa por aqui, -quer queira, quer não dos outros estados-. Entendemos que aqui devem ter os empresarios mais ricos, deve ter a estrutura melhor.
Afropress – O Censo da economia negra que nós estávamos discutindo com a CONE.Você é parceiro nisso?
Bosco – Sim, sou parceiro e se tiver que trabalhar é só chamar. Porque isso vai nos dar nicho de mercado e forma de ação mais direta.