SÃO PAULO/SP –  “Racismo, Xenofobia, Nazismo… Os Negros e a Guerra na Ucrânia” será o tema do programa que a Afropress levará ao ar por meio do Youtube, a partir das 20h, com a participação do advogado e ativista André Moreira, membro do Coletivo Cidadania, Antirracismo e Direitos Humanos. A exposição de Moreira será mediada pelo editor, jornalista Dojival Vieira.

Os dois debaterão as manifestações de racismo explícito que tem sido cotidianamente relatadas na cobertura pela mídia mundial da guerra . Um dos exemplos que mais circularam nas redes sociais foi a fala de Charlie D’Agata, do canal norte-americano CBS News. Na ocasião, na última sexta-feira (25/02), o jornalista disse que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia não era esperada por se tratarem de países europeus. “Esse não é um lugar, com todo respeito, como Iraque, ou Afeganistão, que tem visto conflitos por décadas. Essa é uma cidade relativamente civilizada, relativamente europeia. Preciso escolher essas palavras com cuidado, também. É uma cidade que você não espera que isso aconteça”, comenta o jornalista ao vivo.

Horas após a transmissão, D’Agata pediu desculpas em suas redes sociais, mas os comentários continuaram a ser amplamente criticados e apontados como ferramenta de desumanização de pessoas não-brancas e não-europeias, principalmente daquelas que pertencem ao Oriente Médio e que sofrem com conflitos armados.

“É muito emocional para mim porque eu vejo europeus com olhos azuis e cabelos loiros sendo mortos todos os dias com mísseis de Putin, seus helicópteros e seus foguetes”, comentou o ex-procurador-geral adjunto da Ucrânia, David Sakvarelidze. No último sábado (26/02), em entrevista à BBC, ele disse estar comovido por pessoas brancas estarem sendo mortas em uma guerra.

Também foi no dia 26 que o jornal The Telegraph publicou um artigo do jornalista Daniel Hannan, que escreveu: “Eles se parecem tanto com a gente. Isso é o que faz ser tão chocante. A Ucrânia é um país europeu. Sua população assiste Netflix e tem contas no Instagram, votam em eleições livres e leem jornais não censurados. A guerra não é mais uma coisa que atinge populações empobrecidas e remotas. Pode acontecer com qualquer um”.

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