Nova York – Fazem exatamente 20 anos que o diretor de filmes Spike Lee dirigiu o seu primeiro trabalho. Foi um curta metragem intitulado “Joe’s Bed-Sty Barbershop: We Cut Heads” filmado em um bairro do Brooklyn(NY) em 1986.
Spike Lee, que conseguiu fama internacional com “Do the Right Thing”, um filme sobre a vida de jovens negros urbanos no bairro do Brooklyn (NY), “Malcolm X” sobre os muçulmanos negros nos EUA e o seu principal líder, e “Jungle Fever” acerca de um relacionamento inter-racial em Nova York já não é mais o mesmo.
Lee sempre usou como pano de fundo a condição do afro-americano dentro dos EUA e em 1992 apareceu na revista “Esquire” sob o titulo “Spike Lee Hates Your White Cracker Ass” (Spike Lee Odeia Você Homem Branco Escravocrata) pedindo aos alunos das escolas públicas de Nova York para que cabulassem a aula para ver sua biografia do militante pelos direitos civis dos negros “Malcolm X”. (O finado jornalista Paulo Francis o considerava um crioulo racista)
Com o lançamento de seu 18 longa metragem chamado “Inside Man” estrelando Denzel Washington, Clive Owens e Jodie Foster nos papéis principais, este diretor, que e dono da produtora de filmes “40 Acres and a Mule”, deixou para trás toda a retórica anarquista que o quase tornou uma “persona non grata” em Hollywood.
Não foi somente isto que ele deixou; ele também deixou seu antigo bairro de classe média no Brooklyn para ares mais nobres em Manhattan. Atualmente junto com sua esposa, a escritora Tonya Lewis, e seus 2 filhos ele vive na área mais nobre da cidade conhecida como o “Upper East Side” que vai da rua 61 ate a rua 95 no lado Leste da ilha de Manhattan.
Para alguém que chegou a reclamar que somente uma pessoa negra teria o direito de dirigir a biografia do líder “Malcolm X” e vivia acusando a sociedade americana de conspiracões contra os afro-americanos a imagem do rebarbativo diretor nada mais é do que uma pequena imagem no retrovisor da historia americana.
Sociedade Vulcan
Você já deve ter visto por por aí no Brasil algumas camisetas com o logotipo estampado na frente FDNY, usadas geralmente por turistas que visitam Nova York. Esta é a famosa sigla do Corpo de Bombeiros da cidade de Nova York.
Esta corporação tem nada mais do que 11.468 bombeiros. Menos de 3% deste grupo é afro-americano. Recentemente a organização de bombeiros afro-americanos chamada “Vulcan Society” entrou com uma ação contra o FDNY. A organização alega que o número pequeno de afro-americanos na corporação é discriminatório. O Departamento que cuida da pratica de contratação sem discriminação da cidade promete investigar a reclamação e o Corpo de Bombeiros prometeu cooperação total até o final da investigação.
Informações como esta você geralmente não lê na nossa mídia que adora levantar a bandeira da “Democracia Racial” e fica feliz em manter assuntos que interessam aos afro-brasileiros fora de seu alcance. Vamos abrir os olhos, a hora é agora!

Edson Cadette