S. Paulo – Está tudo pronto. Ativistas de todas as entidades negras e anti-racistas de S. Paulo, que estão convocando a mobilização para a Parada Negra e para a III Marcha da Consciência nesta segunda-feira na Paulista, fizeram neste sábado a última reunião antes da manifestação programada para marcar o Dia Nacional da Consciência Negra.
A avaliação geral é de que pelo menos 10 mil pessoas participarão da manifestação, que começa a partir das 12h, no vão do MASP, com apresentações culturais, continua às 13h, com um Ato inter-religioso e às 15h, segue em direção ao Parque do Ibirapuera, onde será encerrada com um ato no estacionamento da Assembléia Legislativa. Cerca de 50 mil panfletos estão sendo distribuídos com a convocatória para a manifestação.
Já estão confirmados 20 ônibus que sairão de várias regiões de S. Paulo. Também haverá caravanas de S. Vicente, na Baixada Santista, e das cidades da região metropolitana, como Barueri, Suzano, Itapecerica e Taboão da Serra. De Barueri, a Ação Negra de Integração e Desenvolvimento (ANID) já confirmou uma caravana. O jornalista Gérson Pedro e o presidente da ANID, Alberto do Nascimento, destacaram a importância da unidade de todas as entidades na manifestação, ao abrir a Semana da Consciência Negra, em um ato que reuniu cerca de 300 pessoas no Centro de Eventos nesta quinta-feira (17/11).
Também da região do ABC espera-se caravanas de ativistas e militantes, especialmente das cidades em que o Dia Nacional da Consciência Negra é feriado, como Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Mauá.
Na reunião de ontem, participaram lideranças do Movimento Brasil Afirmativo, como o professor Antonio Jacinto dos Santos, representantes da UNEGRO, da Educafro, e Flávio Jorge, da Soweto, e dirigente da CONEN – Coordenação Nacional das Entidades Negras. Também estiveram Milton Barbosa, líder histórico do Movimento Negro Unificado e Sônia Leite, do Fórum Estadual de Mulheres Negras.
Mobilização
Nas várias regiões de S. Paulo a mobilização para a Parada aumentou e se ampliou com a unidade selada há 10 dias pelas lideranças de todas as correntes do movimento negro e anti-racista de S. Paulo.
O Núcleo de Consciência Negra da USP, por exemplo, está mobilizando os estudantes para comparecerem em um bloco com faixas e cartazes.
Ativistas do Movimento Brasil Afirmativo, que reúne várias entidades, estão propondo que, neste domingo, em todas as regiões de S. Paulo seja intensificada a mobilização. Também sugerem a confecção de cartazes, faixas e bandeiras com os dizeres “Não o Racismo”, “O Brasil não aceita conviver com discriminação racial”, “Punição aos nazi-racistas que ameaçam lideranças negras, nordestinos e a comunidade judaica”, “Aprovação do Estatuto da Igualdade Racial já!”, “Ações Afirmativas e Cotas em todos os setores, inclusive no mercado de Trabalho”, “Fim ao genocídio da juventude negra!”, “Respeitem as religiões de matriz africana”.
“A Parada e a Marcha serão um momento de celebração do povo negro e dos nossos aliados anti-racistas, mas também é o momento de dizer: Chega! Vamos declarar alto e bom som: nos rebelamos contra o racismo”, afirmou o jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress.

Da Redacao