Nós, como uma organização que defende o direito à comunicação, apenas pretendíamos ampliar o debate sobre o JAPER dando ao público acesso a entrevista concedida ao jornalista Dojival Vieira que, por motivo explicado em editorial, não a divulgou. Não vemos, de fato, problema algum em tornar público um conteúdo de interesse social. A ação de publicar entrevistas na íntegra é hoje utilizada por instituições em todo mundo.
Nos surpeendemos com a informação equivocada de que o recurso a ser disponibilizado pela Embaixada dos EUA para divulgação do Plano JAPER será do Instituto Mídia Étnica, pois, como é notório por todas instituições envolvidas (SEPPIR, Embaixada dos EUA, pontos focais e o próprio Afropress), esse valor será repassado em 2011 ao CNPJ do Mídia Étnica para que esse seja uma organização “guarda-chuva”, ou seja, o produto /serviço não será de propriedade de nossa instituição e sim de um coletivo de entidades. Pedimos também a correção no que diz respeito a informação de que já recebemos algum recurso desse convênio.
Nunca houve nenhuma remuneração por parte do Instituto Mídia Étnica, muito menos de seus representantes, por parte de quaisquer das instituições envolvidas.
Em relação ao Comitê Gestor dos recursos, reiteramos, como respondemos em entrevista, que a proposta do Instituto Mídia Étnica junto a dos outros comunicadores presentes na reunião em Brasília com a Seppir, foi sempre de ampliar o número de organizações dedicadas a comunicação no Plano JAPER, a fim de fortalecer nossa plataforma de atuação coletiva – vide projeto que essa redação teve acesso.
Reside aí nossa única e ínfima divergência com a Afropress no processo, já que essa última defendeu a idéia de que apenas o grupo de comunicadores que viajou para Atlanta deveria compor a gestão do recurso que será repassado pela Embaixada em 2011 – temos testemunhas sobre esse fato, como as jornalistas Juliana Nunes, Irís Cary e Juliana Dias, além de membros da Seppir e Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Lamentamos publicamente que a Seppir não tenha convocado para a referida reunião os outros jornalistas que viajaram para Atlanta em maio.
Ainda sobre o recurso, informamos que esse servirá para não apenas criar o portal, mas também para possibilitar uma maior articulação entre a sociedade civil brasileira e dos Estados Unidos. Nesse sentido, o compartilhamento da gestão desse projeto pelo movimento negro brasileiro e americano é bastante justo e segue linha estratégica do plano de ampliar o diálogo entre as duas diásporas.
No que concerne aos pontos focais, informamos que estes foram eleitos, em outubro de 2009, há apenas pouco mais de ano, de maneira democrática, em reunião nacional realizada em Salvador, no único encontro realizado nesta capital. Os critérios utilizados foram diversidade de região, participação do CNPIR, domínio do idioma inglês, questão de gênero, capacidade de divulgação, que foram cumpridos. Temos membros da Bahia, Mato Grosso e Goiás, sendo essa última, uma jovem quilombola.
Diferente do que a matéria sugere, temos pouco tempo nessa posição de pontos focais e como podem acessar na entrevista completa que demos (http://correionago.ning.com/profiles/blogs/2-parte-entrevista-afropress), há graves limites impostos pelo governo brasileiro nessa nossa curta atuação na função, também não vemos nenhum problema em serem dois nomes da Bahia, uma vez que o ativista Altair Lira ocupa a vaga do CNPIR, de onde é conselheiro nacional, e o Mídia Étnica foi escolhido por preencher legitimamente critérios da reunião citada.
Por fim, reiteramos que somos entusiastas da idéia de que o campo de organizações de mídia negra no Brasil precisa se unir para crescermos juntos. Esse é um segmento estratégico para a luta contra o racismo no Brasil e por isso precisa se articular. Somos a favor da coletividade e da cooperação, é, portanto, esse o espírito move o Mídia Étnica, que, desde a sua criação em 2005, é reconhecido por ativistas em todo o Brasil pela coerência de suas ações, ética e capacidade de diálogo, o que muito nos honra.
Instituto Mídia Étnica
Leia Editorial “Em nome da verdade e da transparência”
https://www.afropress.com/editorial.asphttps://www.afropress.com/editorial.asp

Paulo Rogério