Brasília – Embora representem cerca da metade do eleitorado brasileiro – aproximadamente 62 milhões de pessoas – o tema da desigualdade racial e do racismo passou em branco na campanha eleitoral que termina neste domingo, 1º de outubro.
No total cerca de 125,9 milhões de eleitores em todo o país vão às urnas para escolher 513 deputados federais, 1059 deputados estaduais e distritais, 27 senadores, 27 governadores e o Presidente da República.
Os dois candidatos na frente das pesquisas – Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Geraldo Alckmin, do PSDB – praticamente ignoraram a questão. Lula não foi a nenhum debate por estar em primeiro nas pesquisas e quando tratou do tema foi genérico. Alckmin foi a todos, porém, não tocou no assunto. Ambos dedicaram apenas algumas linhas às ações afirmativas em seus programas de governo. Os candidatos aos governos estaduais também não tocaram no tema nos debates transmitidos pela Rede Globo.
Pesquisa recente do DataFolha, da Folha de S. Paulo, revelou que 69% dos eleitores que pretendem votar em Lula são favoráveis às cotas para negros nas universidades e apenas 21% são contra. Entre os eleitores de Alckmin, 66% são favoráveis às cotas e 29% são contra. Também entre os eleitores de Heloisa Helena, 56% são a favor e 28% são contra.
As candidaturas proporcionais de negros e negras – espremidas pelas máquinas partidárias e submetidos a agendas em que este tema não tem qualquer espaço – também não puderam usar o principal veículo de campanha – a televisão – para falar a respeito. Serão os deputados federais e senadores eleitos neste domingo os responsáveis pela votação do Estatuto da Igualdade Racial e do PL 73/99, projetos em tramitação no Congresso e que deverão entrar na pauta no ano que vem.
Os resultados da eleição começarão a ser divulgados a partir das 17h, quando se encerra a votação para governadores, senadores, deputados federais e estaduais em todo o país. No caso dos votos para Presidente da República, os votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, começarão a ser divulgados a partir das 19h, quando termina a votação no Acre, cujo fuso horário tem diferença de duas horas em relação ao resto do país.

Da Redacao