Não me disponho a fazer, por ora, neste espaço, uma análise de fôlego, mas como teoria não é fantasia e menos ainda verborragia, gostaria de compartilhar com os leitores da Afropress algumas noções básicas:

1 – a unidade das esquerdas é cada vez mais necessária, mas dentro desta Unidade, é imprescindível separar o governismo das esquerdas que não compõem o pacto da tal governabilidade;

2 – infelizmente, a mídia alternativa ainda ligada ao governo e os militantes ainda sinceros que por estas militam, sempre parece colocar uma condição binária (estes sim são binários):
– as críticas a Dilma coadunam a direita e abrem caminho ao neoliberalismo; logo, temos de travar a unidade e pelear para a hegemonia do "governo em disputa";

3 – a afirmação acima é falsa. Não há governo em disputa, menos ainda hegemonia em jogo. Vivemos duas concepções, onde o Consenso de Brasília disputa com o Pós-Consenso de Washington. Nenhum destes projetos é de "esquerda", sob qualquer tradição evocada;

4 – ao apontar esta condição binária, acaba-se por defender o reboquismo. Já vivemos este momento antes, quando o vacilante Governo Jango, do ainda mais vacilante PTB varguista, com posição para lá de dúbia, levou a classe trabalhadora a receber um golpe de Estado sem condições de resistência. "Manda brasa, presidente!" terminou com um caudilho em disparada, outro travestido fronteira abaixo e anos para reorganizar os frangalhos do Partidão. Os heróis e mártires da luta contra a ditadura pagaram este preço pelo povo brasileiro;

5 – é hora de termos coragem de dizer. Existem [email protected] que ainda crêem na socialização do poder e renda, por mais que sejam reformistas, ainda dentro do PT. Insisto: estas pessoas são valiosas, mas este partido e seus aliados, não o são mais. Menos ainda seus dirigentes e políticos de carreira. Logo, não há unidade com estes operadores políticos;

6 – as conquistas em forma de anúncios de futuras políticas públicas emergenciais só vieram porque ganhamos as ruas, aos trancos e barrancos, mas ganhamos, e por ser esquerda, sem fazer coro ou referência aos governistas. É esta a Unidade de ação que interessa e nenhuma outra.

Bruno Lima Rocha