Hillary, que até Julho do ano passado, era a candidata escolhida pela máquina do partido está em uma grande enrascada. Ela e seus assessores previam que, por volta das primárias do dia cinco de fevereiro, sua candidatura estaria consolidada. O que eles não contavam era com a extraordinária aceitação no eleitorado do seu direto oponente Barack Obama.
Com muito carisma e com o dom da oratória, ele tem deixado os estrategistas da campanha da ex-primeira dama de boca aberta. A grande surpresa começou a aparecer com as prévias no pequeno Estado do Iowa, onde Obama recebeu total apoio dos eleitores brancos. Começou a cair por terra também o mito de que um candidato negro jamais receberia apoio maciço de eleitores brancos.
O interessante nesta disputa está sendo o fato de Barack Obama ter que lutar não somente com a senadora, mas também contra a popularidade de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, que tem feito comícios para sua eleição. Entretanto, muita gente por aqui acha que esta associação nos palanques é uma benção, mas ao mesmo tempo um fardo para Hillary, que está tentando provar que é capaz de dirigir esta Nação com suas próprias idéias.
Um exemplo deste fardo foi o que aconteceu há algumas semanas. O ex-presidente disse que a candidatura Obama era somente um conto de fadas. Isto deixou muitos afroamericanos irritados. Em um outro comício, ele comparou negativamente a candidatura Obama com a do pastor Jesse Jackson, candidato à Presidência em 1984/88, dizendo que assim como Obama, Jesse Jackson havia ganhado as primária da Carolina do Sul, mas não foi o escolhido pelo partido para disputar as eleições.
Tudo isto irritou ainda mais os eleitores afroamericanos. Porém, a gota d’água veio mesmo com a declaração de Hillary de que o presidente Lindon B. Johnson foi a pessoa mais importante na passagem da Lei dos Direitos Civis, minimizando bastante a participação do pastor Martin Luther King nesta conquista histórica. Até mesmo o grão mestre do partido (que apóia Obama), o senador por Massachussetts, Edward Kennedy, passou um pito no casal, e pediu a eles que parassem de usar a etnia de Obama como um fator negativo que pudesse afugentar os votos dos eleitores brancos.
Barack Obama ganhou as dez últimas primárias. Ele está quebrando tabus entre os diversos eleitores do país. Hillary com seu discurso cansado pedindo mudanças em Washington não sabe como fazer para galvanizar seus seguidores e, principalmente, os jovens que maciçamente apóiam seu oponente.
Ela está apostando suas fichas nas primárias que irão acontecer no dia 04 de marco nos Estados do Texas e de Ohio. Como as regras no Texas são complicadas, Hillary precisa ganhar por uma grande margem para poder obter os delegados de que precisa.
Obama sabe que a máquina do partido está toda com Hillary. Seu grande trunfo é seu carisma e sua oratória que o tem levado a lugares nunca antes imaginados por um candidato negro nos EUA. Entretanto, ele sabe também que, isto não será o suficiente para ganhar a indicação.
Hillary Clinton já comeu o pão que o diabo amassou nas mãos dos conservadores e da imprensa desde que apareceu em Washington há mais de 15 anos como primeira dama. Muita gente se refere a ela como a primeira dama dragão.
Ela lutou muito para chegar onde está, e certamente não irá entregar de mão beijada a nomeação pelo partido democrata ao jovem senador de Illinois, mesmo que este tenha mais capacidade e carisma do que ela para fazer o país esquecer da horrível Administração de George W. Bush.

Edson Cadette