Os integrantes da direita conservadora presente nos nossos rincões gaúchos não aceitam a derrota e choram o luto de uma forma desesperada. Basta ver as opiniões expressas nos principais sites de notícias e também nas redes sociais.
Se dermos uma passadinha no Twitter, ali veremos todo o veneno despejado contra o projeto de Tarso Genro e Dilma Rousseff. Um outro fato curioso: Dilma não venceu em Porto Alegre, a capital gaúcha. Na maior cidade do Rio Grande do Sul, o candidato vitorioso foi José Serra.
Em compensação, o candidato ao Senado, Paulo Paim, venceu em Porto Alegre por uma margem apertada sobre a jornalista Ana Amélia Lemos, candidata da situação. Como podemos ver, nos pampas “a peleia foi braba”.
Entre tantos e tantos desafios que teremos daqui para a frente, um deles é muito aguardado por todos nós, militantes do Movimento Social Negro. Uma das promessas feitas na campanha pelo então governador eleito Tarso Genro trata da criação de um organismo de Estado destinado a promoção da Igualdade Racial.
O que existe hoje no Rio Grande do Sul é um conselho para o desenvovimento da Comunidade Negra. Um conselho sem expressão política e que sempre foi muito disputado. Algumas ações pontuais feitas pelo governo Yeda Crusius, e outras pelo ex-governador Germano Rigotto não referendaram alguma importância e ressonância para a comunidade negra.
Os líderes que ocuparam cadeiras nestes espaços não são lideranças conhecidas pela massa, pois não dispunham de popularidade. Apenas de bons currículos e de conhecimento entre alguns representantes do Movimento Social Negro, com ações que pouco deram e geraram relevância para os mais de 1,5 milhão de negros e negras declarados, moradores da porção mais meridional do Sul do País.
O que queremos e é o que defendo neste texto é que nosso governador eleito, Tarso Genro, crie de fato e de direito a Secretaria Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.
Secretaria esta que tenha dotação orçamentária, ou então que possa captar recursos para desenvolver ações para a comunidade, equipe com profissionais capacitados e que realmente implemente políticas públicas para combater a invisibilidade da cultura afrobrasileira, erradicar o desemprego, acabar com a intolerância religiosa e ter um olhar inclusivo para as comunidades quilombolas.
O olhar inclusivo passa pelo fomento de projetos que desenvolvam as comunidades remanescentes nas esferas econômica, educativa e social.
Neste momento de transição, do qual saímos de um governo tucano e vamos para um governo popular, a comunidade negra gaúcha tem que se dirigir ao novo governador eleito para levar esta reivindicação.
Não podemos esquecer também que temos a promessa de ver implantado, no Rio Grande do Sul, uma representação da Fundação Cultural Palmares. Órgão federal ligado ao Ministério da Cultura, a Fundação Cultural Palmares, instalada em Porto Alegre, será um importante braço público para toda a comunidade negra. Referencial para atuar na preservação do nosso patrimônio, nossa história e identidade negra.
Foi o Rio Grande do Sul o percursor, com o Grupo Palmares na luta pela dignidade e resistência do negro na defesa de sua ancestralidade. É agora, no Rio Grande do Sul, que queremos e sonhamos ver construído um novo momento para a comunidade negra.
A implantação de uma secretaria estadual, a qual terá como missão implantar políticas públicas para garantir a equidade entre negros e brancos em um estado que se vende ao restante do Brasil como um pedaço da Europa. Um pedaço o qual estaria livre da influência negra e indígena. Um estado que tenta esconder a “cara preta” da sua participação nos banquetes do desenvolvimento e dos índices de qualidade de vida.
O título original do artigo é “Que venha a Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial.”

Oscar Henrique Cardoso