S. Paulo – A principal Universidade do país – a Universidade de S. Paulo -, que há anos resistia a adotar o sistema de cotas nos processos seletivos dos seus cursos se rendeu: a Faculdade de Direito da Universidade destinará um terço das vagas para negros, indígenas e deficientes físicos e candidatos de baixa renda no Curso de Mestrado em Direitos Humanos, que começa no ano que vem.
Para concorrer as 30 vagas disponíveis, os candidatos negros e indígenas serão entrevistados por uma comissão de antropólogos. Os que não passarem disputarão pela lista sem a cota. No caso dos candidatos com deficiência física ou com dificuldades sócio-econômicas devem apresentar atestado médico ou declaração de renda.
Todos os candidatos farão a mesma seleção: língua estrangeira, conhecimento jurídico em direitos humanos e, por último, uma fase definida pelo orientador da área – entrevista, prova dissertativa e análise de currículo.
Mesmo com a adoção das cotas no mestrado, os que rejeitam essa política e o termo “cota”, considerado maldito na Universidade, não se renderam completamente. A pró-reitora de pós-graduação, Suely Vilela, disse que o sistema de mestrado não pode ser classificado como reserva de vagas, uma vez que os candidatos passarão por todas as fases dos processos seletivos. “Não é cota nem reserva de vagas. É uma ação afirmativa”, afirma Ignácio Maria Poveda Velasco, presidente da Pós-graduação da Faculdade de Direito. Institucionalmente a universidade afirma que não oferece cotas por entender que o sistema desconsidera o mérito acadêmico.
O diretor da Faculdade, Eduardo César Silveira Vita Marchi, considera que a instituição não poderia criar um curso de direitos humanos sem ação afirmativa. Marchi disse que defende as cotas, porém, acrescentou: “sou voz minoritária na USP”.
Para o jurista Fábio Comparato, um dos coordenadores do mestrado, a reserva de vagas é “um caso especial” e ocorreu porque a Fundação Ford propôs o sistema nesses moldes em troca de ajuda financeira, que será transformada em bolsas. “É sim, um sistema de cotas”.

Da Redacao