Mais uma vez, a comunidade negra é surpreendida com a informação da possível fusão da Secretaria Especial pela Promoção da Igualdade racial (SEPPIR), com outras secretarias de Governo.

Não se trata exatamente de uma grande surpresa, pois desde que a SEPPIR foi criada, ela se tornou o alvo preferencial em todos os debates em torno da diminuição da máquina do Estado, transparecendo para a sociedade, que esta secretaria, existe única e exclusivamente para gerar gastos excessivos, sustentando cargos não essenciais, em comparação a outras secretarias consideradas “mais relevantes”.

Nestas oportunidades, a realidade “vem à tona”, sem nenhum disfarce: as políticas de ações afirmativas, políticas públicas e de combate ao racismo não passam de “mera moeda de troca” e de “barganha política”, quando o interesse do Estado é colocado “em xeque”.

Juntamente com a fragilidade política da secretaria, tornamo-nos presa fácil dos nossos algozes, quando deixamos de garantir a nossa representatividade, com pessoas notoriamente conhecidas pela sociedade, que poderiam projetar o nome da secretaria num patamar mais amplo, talvez até mesmo na esfera internacional, que por si só, criariam no mínimo um grande constrangimento ao serem usadas como “moeda de troca”.

A SEPPIR vem tendo a sua imagem fragilizada, com constantes troca de secretários e secretárias, seja pelo fato das pessoas terem outros projetos políticos, por falta de diálogo com as entidades do movimento negro ou até mesmo por pressões externas.

A secretaria deixou o seu protagonismo de lado, satisfazendo-se com a coadjuvância.  

Desde a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial em 2010, quais foram as propostas ou projetos importantes defendidos pela SEPPIR?

Qual tem sido a opinião da SEPPIR em relação ao extermínio da juventude negra, violência contra a mulher negra, xenofobia em relação ao povo haitiano e angolano, a intolerância religiosa e outros temas relevantes?

Estamos diante de uma realidade, onde ministros e ministras apáticas acabam reféns das circunstâncias políticas e dos interesses de Governo, situação agravada pela sub-representação dos afrodescendentes em todas as instâncias, que nos obriga a aceitar as condições que nos é imposta, por aqueles que efetivamente são a minoria na sociedade brasileira, mais que paradoxalmente, são a maioria absoluta no poder, e que, exatamente por este fato, tomam as decisões que deveriam ser nossas. 

Marcos Benedito