Há 132 anos, no dia 15 de Novembro, o Brasil se tornava uma República, depois de 49 anos de Monarquia.

A proclamação da República precisa ser vista como foi: um golpe de Estado, dado por militares – inclusive, o próprio marechal Deodoro da Fonseca era monarquista – que pretendiam mais prestígio, mais influência e poder, depois da vitória na Guerra do Paraguai.

Vitória, sem honra, relembre-se. A Guerra foi um verdadeiro genocídio praticado pelas Forças Armadas Brasileiras, com a não aceitação da rendição do dirigente paraguaio Solano López, perseguido até a capital Assunção, onde foi morto, e a matança indiscriminada de homens, mulheres e crianças.

O Paraguai ainda hoje se ressente do massacre, levado a efeito pelo Exército de Caxias com a ajuda das oligarquias uruguaia e argentina.

A República se ergueu por meio de  um golpe de Estado, sobre os escombros do escravismo – o mais duradouro do mundo ocidental – cujas marcas podem ser vistas ainda hoje no cotidiano do povo brasileiro, especialmente, na desigualdade obscena que caracteriza o Brasil.

Desde 1889, com o primeiro golpe, a corporação fardada, cuja boa vida e privilégios, são sustentados pelo dinheiro do povo, se acostumou a dar golpes de Estado para assegurar privilégios e defender as oligarquias cafeeiras e o capital.

No último deles, de 1964 a 1985, mergulharam o país nas trevas da cassação de direitos, desaparecimentos de cidadãos, corrupção, tortura e morte.

É o que está escancarado hoje, quando se associaram a um nazifascista, oriundo dos porões dos seus próprios quadros, de onde passou para a reserva como capitão, por planejar a explosão de bombas em quartéis e no reservatório do Guandu, no Rio, em defesa de reivindicações salariais.

Por isso, nada há a comemorar pela data que marca a troca de um regime imperial decrépito, que resistiu até o último momento a abolir a escravidão – e quando o fez, lançou milhões de negros, escravizados e ex-escravizados à própria sorte – por uma República da Casa Grande a serviço das oligarquias, e hoje, do grande capital monopolista financeiro e do imperialismo.

Pelo fim da tutela militar, iniciada com a República e que se mantém a custa das mortes pela Covid, dos 19 milhões de brasileiros que passam fome e dos mais de 100 milhões que vivem em situação permanente de insegurança alimentar.

Por um Brasil para o povo brasileiro. Livre das sequelas do escravismo e do racismo. Soberano e socialista.

Pelo fim da República da Casa Grande!

Autor: Dojival Vieira é advogado, jornalista e editor de Afropress.