Rio – Com um encontro com os amigos, no Symposium Vinhos, em Laranjeiras, o maior líder e e ícone vivo dos negros brasileiros – Abdias Nascimento – celebrou neste sábado (14/03), os seus 95 anos, gozando de boa saúde e esbanjando vitalidade.
Escritor, ator, funddor em 1.944, no Rio, do Teatro Experimental do Negro, ex-senador da República, político destacado e um dos fundadores, junto com Leonel Brizola, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Abdias foi reconhecido pela Presidência da República, em 2.004, aos 90 anos, como maior expoente brasileiro na luta intransigente pelos direitos dos negros no combate à discriminação, ao preconceito e ao racismo.
Biografia
Nascido, em Franca, S. Paulo, em 14 de março de 1.914, filho de uma doceira – dona Josina – e de um sapateiro – seu Bem-Bem -, muito pobres, desde cedo Abdias já lutava pelos seus ideais. Aprendeu com a mãe a não deixar nenhuma ofensa racial sem resposta. Adolescente, mudou-se para S. Paulo, onde engajou-se em movimentos afros, sendo um dos fundadores, aos 17 anos, do mais histórico deles – a Frente Negra Brasileira.
Posteriormente, graduou-se em Economia pela Universidade do Rio de Janeiro em 1938. E e, 1;944. Fundou o Teatro Experimental do Negro, entidade que rompeu a barreira racial no teatro brasileiro. Numa viagem com amigos poetas, ficou chocado ao ver um ator branco pintado de preto, interpretando um personagem negro.
Como ator, encenhou “Othelo”, “Sortilégio”, “Perdoa-me por me traires”, dentre outras.
Organizou a Convenção Nacional de Negro em São Paulo e Rio de Janeiro em 1945, 1946, respectivamente, e o 1º Congresso do Negro Brasileiro no Rio de Janeiro em 1950.
Entre 1949 e 1951, publicou o Jornal Quilombo.
Recebeu diploma pós-universitário pelo Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) em 1957. Dez anos depois, concluiu a pós-graduação em Estudos do Mar pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Em 1968, no mesmo ano em que fundou o Museu de Arte Negra no Rio de Janeiro, partiu para o exílio nos Estados Unidos, onde atuou como professor universitário. Foi lá que ele começou a se dedicar à pintura.
Participou em vários eventos internacionais do mundo africano e do 2º Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas em 1977.
Volta ao Brasil
Em 1980, voltou ao Brasil e contribui para a fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Um ano mais tarde, foi escolhido vice-presidente e fundou o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros. Como deputado federal entre 1983 e 1986, apresentou projeto de lei que previa a criação de cotas de 20% para negros na seleção de candidatos ao serviço público. A matéria porém jamais chegou a ser apreciada.
Entre 1991 e 1994, assumiu o cargo de secretário Extraordinário de Estado de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (Seafro) do Rio de Janeiro. Foi eleito, também em 1991, senador da República e ocupou o cargo de secretário de Estado de Direitos Humanos e da Cidadania do Rio de Janeiro em 1999.
Entre os títulos já concedidos ele por universidades estão o de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em 1993, e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2000. Fontes: Site Abdias Nascimento, Portal Alfro.
À frente do TEN, Abdias organiza o 1º Congresso do Negro Brasileiro em 1950.
Militante do antigo PTB, após o golpe de 1964 participa desde o exílio na formação do PDT. Já no Brasil, lidera em 1981 a criação da Secretaria do Movimento Negro do PDT.
Na qualidade de primeiro deputado federal afro-brasileiro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo (1983-87), apresenta projetos de lei definindo o racismo como crime e criando mecanismos de ação compensatória para construir a verdadeira igualdade para os negros na sociedade brasileira. Como senador da República (1991, 1996-99), continua essa linha de atuação.
O Governador Leonel Brizola o nomeia Secretário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro (1991-94). Mais tarde, é nomeado primeiro titular da Secretaria Estadual de Cidadania e Direitos Humanos (1999-2000).
Diploma Honorário Zumbi dos Palmares, São Bernardo do Campo, SP, 1983.
Honrarias e Prêmios
Medalha Pedro Ernesto, Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, 1983.
Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, 1984.
Diploma de Grande Benemérito, Ilé Iyá Nassô Oká (Casa Branca do Engenho Velho/Sociedade B. R. São Jorge do Engenho Velho), Salvador, Bahia, 1985.
Homenagem por dedicação, amor e devoção à causa da Educação, Secretaria Municipal de Educação, Depto. Geral de Educação, Rio de Janeiro, 1986.
Tributo da Universidade Internacional da Flórida por contribuição destacada à dignidade, herança e personalidade cultural e histórica dos povos de descendência africana nas Américas, Miami, 1987.
Medalha de Bronze, comemorativa do Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil, Governo Federal, 1988.
Troféu da Consciência Negra para o Escritor de Destaque da Língua Portuguesa, Secretaria de Cultura, Estado da Bahia, 1988.
Irmão Distinto, Fraternidade Venerável de Sto. Elesbão e Sta. Efigênia, Rio de Janeiro, 1988.
Troféu Ujamaa, Prêmio de Contribuição Destacada à Comunidade Afro-Brasileira, Sociedade Olodum de Cultura Afro-Brasileira, Salvador, Bahia, 1988.
Medalha de Prata Winnie Mandela, Prêmio para Destacado Serviço e Dedicação à Causa Afro-Brasileira, Fundação Cultural Palmares, Ministério da Cultura, 1989.
Sócio Honorário, Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH), Rio de Janeiro, 1989.
Medalha Tiradentes, Estado do Rio de Janeiro, 1991.
Medalha Comemorativa do Centenário da Devoção do Senhor do Bonfim, Venerável Irmandade de Sto. Elesbão e Sta. Ephigênia, 1992.
Moção de Congratulações, Câmara dos Vereadores, Município de Niterói, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, 21 de março de 1992.
Salão de Exposições Senador Abdias do Nascimento, Museu de História e Artes do Estado do Rio (ex-Palácio do Ingá), inaugurada a 02 de abril de 1992.
Cidadão Campista, Câmara de Vereadores, Município de Campos, RJ, 1993.
Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1993.
Medalha Legislativa Municipal do Mérito Dr. José Clemente Pereira, Câmara Municipal de Niterói, 1995.
Diploma de Menção Honrosa, Sociedade Cultural Afro-Brasileira, Axé Lá Naso Oka Bombuxé Lá Bitikum, Rio de Janeiro, 1995.
Patrono, Congresso Continental dos Povos Negros das Américas (Parlamento Latinoamericano, São Paulo), 1995.
Cidadão Paulistano, Câmara de Vereadores, Município de São Paulo, 1996.
Presidente Honorário, Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), 1997.
Menção Honrosa, Prêmio de Direitos Humanos da OAB/ São Paulo, 1997.
Homenagem a Cinco Personalidades da História da Diáspora Africana, Câmara Municipal de Salvador, Bahia, 1999.
Doutor Honoris Causa, Universidade Federal da Bahia, 2000.
Prêmio Mundial Herança Africana, Schomburg Center for Research in Black Culture, Biblioteca Pública de Nova York, Harlem, 2001. Prêmio apresentado em cerimônia realizada na sede da ONU por ocasião do 75º aniversário do Centro Schomburg, a seis personalidades do mundo africano: Katherine Dunham, Amadou Mahtar M’Bow, Billy Taylor, Gordon Parks, Dorothy Height e Abdias Nascimento).
Prêmio Cidadania 2001, da Comunidade Bah’ai do Brasil, junho de 2001.
Inaugura-se em julho de 2001 o Núcleo de Referência Abdias Nascimento, contra o Racismo e o Anti-Semitismo, e seu Serviço Disque-Racismo, iniciativas da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro.
Ordem do Rio Branco, no grau de Oficial, outubro de 2001.
Prêmio UNESCO, categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz, outubro de 2001.
Homenageado como personalidade destaque em Direitos Humanos pela Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, em seu Seminário Nacional Subjetividade e Exclusão, realizado em Brasília, dezembro de 2002.
Homenageado como personalidade destaque em Direitos Humanos dos Afrodescendentes, Fala Preta! Organização de Mulheres Negras, São Paulo, abril de 2003.
Diploma da Camélia, Campanha Ação Afirmativa/ Atitude Positiva, CEAP e Coalizão de ONGs pela Ação Afirmativa para Afrodescendentes, Rio de Janeiro, novembro de 2003.
Prêmio Comemorativo das Nações Unidas por Serviços Relevantes em Direitos Humanos, Rio de Janeiro, novembro de 2003.
Prêmio de Reconhecimento da Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Brasília, 21 de março de 2004.
Homenagem da Presidência da República aos 90 anos “do maior expoente brasileiro na luta intransigente pelos direitos dos negros no combate à discriminação, ao preconceito e ao racismo”. Brasília, 21 de março de 2004.
Prêmio de Reconhecimento 10 Years of Freedom – South Africa 1994-2004, do Governo da África do Sul, abril de 2004.

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