S. Paulo – No dia em que se celebra os 125 anos da abolição da escravidão, a situação da população negra no Brasil é marcada pela desvantagem provocada pelos quase 400 anos de escravismo. Segundo a "Síntese estatatística: indicadores representativos sobre as desigualdades de cor e raça no mercado de trabalho" divulgada pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatística das Relações Raciais (LAESER), vinculado ao Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ), brancos ganham 78,9% a mais que os homens pretos e pardos  – R$ 2.332,48 contra R$ 1.303,51.

No caso das mulheres a diferença é ainda maior: R$ 1.945,99 contra R$ 1.084,33 das mulheres brancas. Ano após ano, se repete nos indicadores, a escadinha: primeiro homens brancos estão no topo, depois as mulheres brancas, homens negros e mulheres negras, que ocupam a base da pirâmide. “A desigualdade entre os rendimentos dos homens brancos e das mulheres pretas & pardas era igual a 146,5%, em fevereiro de 2013. Na mesma data, as mulheres brancas alcançaram rendimentos 31,4% mais elevados que os homens pretos & pardos", aponta o relatório, que se baseia nos dados de fevereiro de 2.013.

Todos os meses o Laboratório, que é coordenado pelo professor Marcelo Paixão (foto), divulga a síntese dos dados. Estudo do LAESER também aponta que na chamada nova classe média, a desigualdade se mantém: nos extratos que concentram os 10% mais pobres dessa nova classe, pretos e pardos correspondem a 62%. No extremo dos 10% mais ricos, o percentual é de apenas 39%.

Desvantagem acumulada

A desvantagem se repete desde 1.888 e é apontada em todos os indicadores sócio-econômicos e também aparece nas taxas de desemprego das seis maiores regiões metropolitanas do país: a taxa de homens brancos é de 4,5 contra 5,7 de mulheres brancas; no caso dos negros é de 5,2 contra 7,3% das mulheres pretas e pardas. Em resumo, enquanto brancos tem uma taxa de desemprego de 5,0%, negros tem taxa de 6,2%. Um dado que chama atenção é que a desvantagem acontece para brancos e negros com o mesmo grau de instrução. Por exemplo, quando é feito o cálculo do rendimento médio real, desagregado por faixas de escolaridade, homens brancos sem instrução ou com menos de um ano de estudo tem ganhos de R$ 935,87, os pretos e pardos ficam com R$ 892,93; as diferenças permanecem nos casos de 11 anos ou mais de estudo: um branco tem rendimento de R$ 3.268,83, enquanto um preto e pardo recebe 1.803,17.

No caso das mulheres as diferenças também se mantém nesse quesito: uma mulher branca com 11 ou mais anos de estudo, tem rendimento de R$ 2.191,73, enquanto que uma negra com a mesma escolaridade tem rendimento de R$ 1.337,22.

Confira abaixo a síntese do LAESER

http://www.laeser.ie.ufrj.br/PT/tempo%20em%20curso/TEC_abril_2013.pdf

Da Redacao