Tamanho impropério fez pairar uma dúvida sobre a expressão “humor inteligente”. Talvez por genialidade, talvez por burrice, as Organizações Tabajara acabam satirizando as Organizações Globo. Uma faz o que a outra finge não fazer: vende produtos obsoletos a pessoas alienadas. Afinal, uma varinha de coçar a bunda tem tanta utilidade quanto uma telenovela ou um telejornal que não são nem ficção nem realidade.
Um pesadelo aterroriza a alta cúpula da “Fábrica de Sonhos”. Se aprovado o Estatuto da Igualdade Racial, todas as empresas de comunicação -inclusive as Organizações Globo- estarão obrigadas a abrir 20% de seus postos de trabalho aos afrodescendentes. É possível que as telenovelas não comportem tamanha oferta de mão-de-obra. Afinal, não há tantos banheiros a serem lavados nem tanta grama a ser aparada no setor de figuração. Na área do jornalismo, talvez não seja tão difícil substituir o insubstituível William Bonner. O competente Heraldo Pereira (reserva oficial) não seria tão ingênuo e insensato ao ponto de comparar o público do telejornal mais assistido do país ao Homer Simpson.
Nas palavras do garoto-propaganda e editor do “Jornal Nacional”, o referido personagem da ficção lhe serve de inspiração na fabricação das notícias que entrarão no ar. Em essência, foi dito que o povo brasileiro deve se sentir honrado por ser comparado a um sujeito que nunca leu um livro e segue cegamente os preceitos de uma religião chamada Televisão.
As Organizações Globo ora ridicularizam, ora espalham temores do surgimento de um possível ódio racial. Servem-se das falácias de dois extremistas para defender sua política anti-inclusão. Usam o cinismo do seu assustador de criancinhas e comentarista oficial, Arnaldo Jabor, para dizer que “somos todos iguais”.
Não bastasse mentir em rede nacional, ainda encomendam teses “por atacado” de um sujeito que se tornou um perseguidor voraz da Ação Afirmativa com recorte racial. Ao contrário do que prega o Sr. Demétrio Magnoli, os intelectuais afrodescendentes (financiados pela Fundação Ford) não dividiram a sociedade brasileira em raças. Eles apenas tiveram sensibilidade e faro científico para perceber que o Brasil está racialmente dividido há mais de 500 anos. Para enxergar isso, não é necessário ser doutor em Geografia Humana pela USP. Qualquer aspirante a militante do Movimento Negro conhece de cor a história da cor no Brasil.
Mesmo que muitos acreditem no contrário, as clarividências provam que as Organizações Globo preferem esconder as mazelas do país a ajudar a eliminá-las. Quisesse, mobilizaria suas equipes de reportagem para retratar a vida dura dos afrodescendentes que vivem sobre palafitas nos mangues maranhenses. Para citar um exemplo da degradação da vida e do desrespeito aos Direitos Humanos, o caranguejo come a bosta do homem, que depois come o caranguejo. Tudo isso acontece sob o reinado e descaso de um dos homens mais poderosos da história do Brasil, o coronel e ex-presidente da República e do Senado Federal José Sarney.
O Jornal Nacional e os demais veículos de comunicação precisam dizer que mais de 60% da população do estado do Maranhão vive abaixo da linha da pobreza. Ou seja, mais de 3,5 milhões de pessoas precisam enriquecer para chegar a ser pobres. Coincidência ou não, os dados do último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que 72% da população desse estado é afrodescendente. Na região, está concentrado o maior número de comunidades quilombolas do país. Contrariando os interesses dos latifundiários, esses quilombolas podem ser beneficiados pela Ação Afirmativa que as Organizações Globo e seus sequazes tentam barrar no Congresso Nacional. Não há nada mais anacrônico, nem nada que justifique a existência das capitanias hereditárias e das palafitas no século 21. Ingênuos e astutos de todo o mundo, ouvi: Onde há latifúndio, há miséria!
É fundamental que os leigos e os letrados entendam que os defensores da Ação Afirmativa não reivindicam privilégios. A luta é pela dignidade e pela possibilidade de se poder ter acesso às oportunidades em pé de igualdade. Ação Afirmativa não é apenas incluir afrodescendentes no Ensino Superior e no mercado de trabalho. Ação Afirmativa também é matar a fome, o piolho e a lombriga. Ação Afirmativa não é a cura para as doenças sociais. Ação Afirmativa é terapia paliativa. Tem o mesmo efeito da pinguinha barata que se toma no lugar do café-da-manhã. Não sara, mas alivia a dor.

Jorge Américo