S. Paulo – Um acordo feito pela vereadora Claudete Alves, do PT, com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), em nome da Coordenação Nacional das Entidades Negras (CONEN), da UNEGRO e do Movimento Negro Unificado (MNU), foi o que garantiu a estrutura para a Marcha, convocada por essas organizações. O acordo incluiu a contratação de seguranças, os trios elétricos – inclusive um reservado apenas para a Imprensa -, 100 ônibus, 10 mil camisetas e idêntica quantidade de adesivos.
Os termos do acordo foram confirmados pelo assistente parlamentar da vereadora, Cláudio Thomas, o Tom. “Os ônibus e demais materiais relativos atividade do dia 20 de novembro, foram fruto de um projeto encaminhado a vereadora pela coordenação da IV Marcha. Em posse do referido projeto, a vereadora, negociou com o prefeito o apoio a Marcha, do qual surgiu estes 100 ônibus. Infelizmente, a confirmação destes ônibus deu-se apenas na segunda-feira de manhã, dificultando a mobilização dos mesmos”, disse.
Constrangimentos
Desde o período da manhã, a área de frente ao Masp começou a ser ocupada pelos pesados trios elétricos, trazidos pelos organizadores da Marcha. A evidência do acordo, criticado por várias entidades negras presentes, estava no logo da Prefeitura de São Paulo nas camisetas distribuídas fartamente inclusive na Paulista.
Montados na estrutura, dirigentes dessas organizações, entre os quais Flávio Jorge, Rafael Pinto, Sônia Leite, Julião Vieira, Edson França e Milton Barbosa, passaram assumir ostensivamente o papel de “donos” da manifestação proibindo, com a ajuda dos seguranças, quem pretendesse subir ao palanque até mesmo para pedir explicações e ou informações.
O show de autoritarismo e prepotência chegou ao limite quando grupos musicais que se apresentariam, foram obrigados a tirar as camisetas e vestir outras distribuídas pela Marcha, apenas porque foram mobilizados pelo Movimento Brasil Afirmativo. “Com a camiseta da Parada, não sobe”, diziam, coadjuvados pela professora Gevanilda Santos, da entidade negra Soweto.
Constrangidos os integrantes desses grupos optaram por se apresentar retirando as camisetas. Situação idêntica passou o pastor Marco Davi de Oliveira, da Igreja Batista, que vestia uma camiseta da Parada Negra.
Tudo isso, mesmo com os ativistas do Movimento Brasil Afirmativo estando há meses defendendo a unidade. Como demonstração dessa postura levaram para a Paulista as cores da unidade africana, que são as mesmas do Movimento, e espalharam faixas com os dizeres Marcha = Parada = Parada + Marcha = União do Povo Negro.
Presenças
Indiferentes as confusões e trapalhadas dos “donos” da Marcha, o ex-secretário de Justiça de São Paulo, Hédio Silva Jr., observava o movimento e conversava com militantes que foram para a Avenida Paulista, sem se preocuparem com disputas políticas de lideranças. Não foi sequer anunciado.
O único subprefeito negro de São Paulo, Arthur Xavier, da Cidade Tiradentes, também transitava pelo vão, até ser conduzido até o caminhão de som. Também não foi anunciado, o mesmo ocorrendo com Maria Aparecida de Laia, da CONE, e com o advogado Humberto Adami, líder das ações que questionam a ausência do negro no mercado de trabalho, que veio do Rio para a Parada/Marcha.
Entre as lideranças não negras presentes, o empresário Michel Haradom, da Fersol, e uma equipe de funcionários do Comitê de Diversidade do Banco Real, comandados por Ismênia Pires, que apoiou a Parada.

Da Redacao