S. Paulo – “Qualquer beócio ou beócia que, sem lavar a boca, pretender se promover em cima do meu nome vai dar explicações a um juiz criminal”. Foi dessa forma que o ex-Secretário da Justiça de São Paulo, Hédio Silva Jr. (foto), um dos mais respeitados juristas e ativistas do Movimento Negro, reagiu às acusações da vice-presidente do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira (Intecab), Egbomi Conceição Reis, de que estaria interferindo na sucessão do Pai Francelino de Shapanan, morto em fevereiro deste ano.
Conceição garante que, pelo Estatuto da entidade, tem o direito de suceder Shapanan. Há alguns dias, em reunião da Frente Parlamentar Especial da Igualdade Racial, na Assembléia Legislativa, ela denunciou que estaria sofrendo perseguição e o pivô da campanha seria Hédio, juntamente com Sandra Medeiros Epega, também da religião. “Estão com medo que eu leve toda uma negrada pra dentro do Intecab. Agora eu sinto racismo e o que é pior de tudo é que é com os meus. É isso o que sinto mais, infelizmente”, afirmou, em tom emocionado, garantindo que “chegaram a cantar ponto de morte dentro de uma casa prá mim”.
Shapanan coordenava o Intecab no Estado e se notabilizou como liderança não apenas pela defesa do diálogo inter-religioso como também por ações na justiça, como a impetrada contra a TV Record, da Igreja Universal, pelos ataques às religiões de matriz africana, nas quais Hédio advogou.
Hédio, que também é ogã da religião (médium preparado para puxar os pontos e toques de atabaque) reagiu indignado às acusações. Disse que sempre advogou para o Instituto nos últimos quatro anos, gratuitamente. A ação contra a Record e a Igreja Universal foi uma das ações que ganharam mais visibilidade. “É preciso que se diga que fazia assessoria jurídica em dezenas de casos, com apoio financeiro do CEERT, mas sem cobrar um centavo”, acrescentou.
Ele afirmou que não sabe dizer “de onde estão tirando isso”, mas que, logo após a morte de Shapanan decidiu se afastar da Assessoria Jurídica do Instituto e está inclusive fazendo contatos, nesse sentido, com a direção do Instituto, que tem sede na Bahia. “Muita gente superestima a minha força política. Não sei de onde estão tirando isso”, concluiu.

Da Redacao