Brasília – O Professor Paulo Kramer, da UnB, acusado de racismo por alunos do Curso de Mestrado de Ciência Política da Universidade, decidiu virar vítima e ameaça mover ação contra os estudantes alegando danos a sua imagem.
Quer R$ 3 milhões de indenização em ação que pretende mover contra os alunos que se sentiram ofendidos com os termos usados em sala de aula para se referir à população negra, entre os quais “crioulada”, “racista negro” e “Ku Klux Klan negra” – os dois últimos dirigidos ao estudante Gustavo Amora, que tomou a iniciativa de formalizar a denúncia ao reitor Timothy Mullholand.
Ao mesmo tempo em que passou a fazer ameaças, Kramer, que também é consultor político do Congresso, confirmou os termos ofensivos usados contra a população negra. Agora, porém, prefere a inversão de papéis, posando de vítima, tentando intimidar os estudantes que o denunciaram.
A diretora do Instituto de Ciência Política (Ipol), Lúcia Avelar, foi outra que resolveu engrossar o coro do professor acusado de racismo e partiu para o conveniente papel de vítima. Agora são os estudantes ofendidos que “radicalizaram ao levar o debate para fora da UnB”. “A questão estava sendo tratada como prioridade aqui dentro, estávamos encaminhando soluções, mas eles foram irredutíveis”, afirma, como se, de repente, o campus universitário, tivesse suas próprias leis, à revelia da legislação do país e da Constituição, que considera o crime de racismo inafiançável e imprescritível desde 1.988.
Para o presidente do Grupo Olodum, da Bahia, João Jorge dos Santos Rodrigues, entretanto, as ameaças não colam: “Não tenho dúvidas de que a declaração do professor foi racista, todo mundo sabe que ‘crioulada’ é um termo pejorativo”, afirmou.

Da Redacao