Brasília – O estudante Wagner Guimarães Guedes, do Curso de Engenharia Florestal da UnB, apontado como mentor intelectual do atentado contra os estudantes africanos, foi um dos primeiros a ser apontado como suspeito. Ele ficou conhecido no campus como líder estudantil, quando se tornou um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes da UnB.
Diante da informação de que era apontado como suspeito, chegou a escrever à Afropress, no dia 22 de julho passado, alegando inocência. “Fico indignado com o sensacionalismo que alguns órgãos da mídia procuram exacerbar sem ao menos terem conhecimento dos fatos. Fico triste por saber que existem pessoas capazes de colocarem a vida de outras pessoas em risco, mas, fico triste também por ser apontdo como suspeito por um ato que abomino”, tentou despistar.
Ao final disse ter orgulho da sua condição racial. “Sou negro e tenho orgulho de ser negro e é uma pena que ongs que lutam contra o racismo, protagonizem uma cena de racismo tão deplorável e tão descabida. Será que o fato de a PF não achar provas contra essas pessoas, não pode significar que essas pessoas não tenham nada a ver com o fato(…)”.
A essa altura a PF, segundo o delegado Francisco Serra Azul já tinha provas de sobra para incriminá-lo e pedir, inclusive, sua prisão preventiva.
UnB não fala
Logo após tomar conhecimento pela Afropress do indiciamento dos três acusados pelo atentado contra os estudantes africanos, o chefe da Assessoria de Comunicação da Universidade de Brasília, jornalista Rodrigo Caetano, disse que só nesta quinta-feira (13/09), a Universidade se manifestará. “Precisamos conhecer primeiro o relatório”, afirmou.
Na semana passada, ao participar de um ciclo de debates promovido pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em São Paulo, no dia 03/09, o reitor Timothy Mulholland ainda não tinha conhecimento das conclusões do inquérito. “A defesa dos rapazes que fizeram isso – falo rapazes porque tenho quase certeza de que são rapazes – foi muito inteligente. Parece que tinha um plano de mídia para tentar retirar a conotação racial do crime. Eles estavam apavorados com a idéia de que poderia haver na História do Brasil um episódio de racismo. Mas é muito difícil dizer que foi briga de vizinho. Fuigir do racismo. Esse é o jogo que está sendo jogado”, afirmou.
Na sexta-feira anterior as declarações do reitor, o delegado Francisco Serra Azul encaminhava as conclusões do inquérito à 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília.

Da Redacao