Rio – O advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Ambiental e Racial (IARA), do Rio, recomendou cautela nas manifestações em resposta à juíza de paz Abiail Ferreira, presidente de uma entidade negra de Brasília, que pediu a abertura de investigação do Ministério Público do Distrito Federal para apurar crime de racismo nas declarações feitas pela ministra Matilde Ribeiro, em março deste ano em entrevista à BBC Brasil.
Matilde, na entrevista, considerou natural a reação de negros contra brancos e disse que isso não era racismo. Depois se explicou e acusou a BBC de tirar conclusões fora de suas declarações fora de contexto. “Ela (Abiail) tem todo o direito de exigir explicações da Ministra, via MP. Acredito mesmo que o MP esteja sendo oportunista, e podemos aproveitar para colocar uma série de demandas lá. Os que quiserem apoiar a Ministra, como de outras vezes, também terão todo o direito de fazê-lo”, afirmou.
Segundo Adami, a ministra já deveria estar respondendo ao Ministério Público por outras coisas. E acrescentou. “Mas burrice, falta de entendimento de seu papel nacional, xavequismo, partidarismo, regionalismo, desperdício de oportunidades históricas, pequenez de caráter e avaliação política, assessoria que mais parece “acessoria”, ineficiência de gestão etc, não devem mesmo ser motivo de abertura de inquérito, se houver”. Ele também fez menção, sem detalhar, a “passagens e caixa da Petrobrás”.
“Enfim, acho Matilde muito aquém das tarefas que a Seppir precisa. Abomino, pois, sua figura pública, que acho fraca e inexpressiva”. Ele também acusou a ministra de só pensar “nesta coisa chamada PT de São Paulo”. “Até hoje ela não se pôs no seu lugar de ministra”.
Adami também criticou o artigo publicado na semana passada por Matilde no jornal A Folha de São Paulo, em que defende as ações do Governo Lula na área da promoção da igualdade racial. “O artigo publicado na Folha pela Ministra Matilde é um desatino, ridículo, onde repete, qual papagaio, o pior de Lula, como a história do “nunca antes”, sem, por óbvio, ser Lula. Se em Lula, virou piada, em Matilde, foi de mau gosto. Acho mesmo uma injustiça ela ser processada por incitar racismo, pela porcaria de entrevista que ela deu. Uma inutilidade, quer a entrevista , quer o processo. É um desperdício de tempo”, concluiu.
A Afropress tentou, sem sucesso, falar com a ministra Matilde Ribeiro, mas ela não foi localizada, para se manifestar. Também não conseguiu falar com a sua Assessora de Comunicação Isabel Clavelin.

Da Redacao