S. Paulo – O advogado e ex-presidente do Conselho da Comunidade Negra do Estado, Antonio Carlos Arruda, protocolou junto a Ouvidoria da Polícia representação contra o delegado Anderson Cassimiro de Lima e investigadores Luiz Cláudio Ribaldo, Samuel Zalewska e Emerson Tadeu Amâncio, da Delegacia de Taboão da Serra, região metropolitana de S. Paulo, para que apure a ocorrência dos crimes de racismo, violência policial e abuso de autoridade.
Segundo Arruda, no dia 31 de março deste ano, os policiais prenderam e praticaram violências e abusos contra o menor D. S. C., de apenas 16 anos, que tivera o boné roubado por um grupo de adolescentes brancos. Ele foi procurado pelos pais do garoto, o motorista Luiz Tadeu de Jesus Silva, e a psicóloga Nádia Margarida Correa Silva, que relataram o caso.
Na tentativa de recuperar o boné, o menor com mais três amigos foram cercados por um grupo de garotos brancos que acompanhava o autor do furto. “Nessa confusão, chegou a prestigiosa e eficiente equipe da polícia civil. De armas nas mãos, mandaram que o jovem negro se jogasse no chão. Enquanto ele se abaixava, um deles deu-lhe uma rasteira, jogou-o de rosto no chão, pisou no seu rosto e chutou o seu corpo. Algemaram-no e o revistaram ainda no solo, levantaram-no e o levaram para a viatura policial, sendo jogado no “chiqueirinho”, afirma.
Segundo Arruda, além de efetuarem disparos, os adolescentes foram revistados no chão, chutados e levados à viatura policial sendo colocados aos tapas no chiqueirinho e conduzidos ao DP. No Distrito, novas demonstrações de racismo, de intolerância e despreparo: os quatro foram recolhidos à cela, onde foram obrigados a permanecer descalços com os pés sobre a urina para confessarem o roubo.
Na representação, Arruda prova com fotos que o boné era, de fato, do menor D.S.C. “Os policiais, de forma irresponsável e maldosa, prenderam, torturaram e marcaram os jovens de forma indelével, e mais, comprometeram o futuro do representante, catalogando-o intencionalmente, de forma definitiva, dentre menores infratores. Não cumpriram, entretanto, o mais comezinho dos seus deveres: o de investigar”, conclui.

Da Redacao