Vitória/ES –O advogado e ativista dos Direitos Humanos, André Luiz Moreira, 41 anos, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), é o único candidato negro no Estado a disputar uma vaga no Senado da República nas eleições deste ano. Além de advogado e ativista, Moreira é músico e já integrou a banda Lordose para Leão, grupo que chegou a se apresentar no Circo Voador, no Rio, nos anos 90.

Entre os bens que declarou a Justiça eleitoral está uma guitarra Fender Stratocaster americana preta, estimada em R$ 7 mil, uma raridade do mesmo modelo usado por Jimi Hendrix. "Sou advogado e, na OAB, presidi a Comissão de Direitos Humanos. Decidi me filiar a um partido com o qual tenho afinidade e com as causas que defendo", afirmou.

Sem a adoção de cotas – que já existe na Lei que obriga os partidos a reservarem 30% das vagas para mulheres – o número de candidatos negros é sempre pequeno porque mesmo as lideranças que se destacam nos movimentos sociais e nos seus partidos enfrentam dificuldades pelo alto custo das campanhas.

No caso de cargos majoritários, embora representem 50,7% da população de acordo com o Censo do IBGE 2010, é ainda mais raro ver um negro ou negra disputando a Presidência da República, Governos de Estado e Senado. Nestas eleições – com exceção da ex-senadora Marina Silva, que faz parte da chapa com Eduardo Campos, pelo PSB, só há a candidatura de André e de Hamilton Assis, liderança negra baiana que é candidato ao Senado, também pelo PSOL.

Mesmo assim, Marina na sua pauta de campanha, tem como prioridade a defesa do meio ambiente e de políticas sustentáveis. A questão da desigualdade racial e do racismo não ocupa espaço na sua agenda nem nas discussões públicas.

Quebra de paradigma

Segundo lideranças do movimento negro capixaba, a idéia de lançar Moreira ao Senado representa uma quebra de paradigma e uma tentativa de romper a barreira que é imposta a lideranças que não dispõe de recursos nem das condições oferecidas pelo mercado aos partidos e aos candidatos que participam do jogo político e da política tradicional.

De acordo com essas mesmas lideranças, Moreira poderá ser a grande novidade nas eleições deste ano não apenas no Espírito Santo, mas no país. Atualmente, dos 81 senadores, apenas dois são negros – um dos quais, o senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul.

O outro, Magno Malta, também do Espírito Santo, jamais assumiu ser negro e se natabilizou no Senado pela defesa de políticas como a redução da maioridade penal, que atinge em cheio aos jovens negros, alvos e vítimas da violência da sociedade e da Polícia.

Esperança

André Moreira é uma das principais lideranças do movimento negro e antirracista capixaba, atuante na luta em defesa dos pobres e negros, frequentemente vítimas das péssimas condições de vida e da violência da Polícia. Advogado atuante, disputou por duas vezes a presidência da OAB capixaba, e é muito respeitado pelas posições firmes que tem assumido na defesa do direito e da Justiça.

Neste sábado, 02 de agosto, ele participa da Marcha das Vadias, que este ano faz a denúncia do feminicídio no Estado. “Em 2012 tive o prazer de estar na organização da primeira edição da Marcha aqui no Estado. Agora já estamos na terceira realização do ato. Queremos políticas públicas e investimentos públicos para combater a violência contra a mulher”, afirmou em sua rede social.

Segundo Moreira, sua candidatura ao Senado pelo PSOL pretende dar voz a todos os setores da sociedade – especialmente, aos pobres e negros e aos ativistas que tomaram as ruas, também no Espírito Santo, nas jornadas de junho de 2013 – que, ao longo dos últimos anos tem sofrido as consequências das políticas adotadas pelas oligarquias políticas capixabas.

 

Da Redacao