Porto Alegre – Concluídos os termos do acordo extrajudicial, acompanhado pela Defensoria Pública de Porto Alegre, o advogado Hamilton Ribeiro, que junto com o colega Carlos Barata, liderou as negociações em nome da viúva Milena Freitas, disse que “o Carrefour preferiu gastar dezenas de milhões de reais em propaganda a pagar uma indenização justa”.

“O Carrefour é uma empresa tão poderosa e tão avassaladora, que eles preferiram gastar dezenas de milhões de reais em propaganda, aquela propaganda produzida por eles de forma unilateral”, afirmou.

O advogado se refere a campanha “Nós não vamos esquecer”,  que incluiu a divulgação de peças de publicidade em horário nobre na principal rede de TV do país, lançada pelo Carrefour,  com a consultoria de lideranças negras do mundo acadêmico e do empreendedorismo, cooptadas para fazer propaganda da empresa. Ele acusa o Carrefour “de se apropriar de um discurso que deveria ser da Milena”.

NADA VAI MUDAR, DIZ RIBEIRO

Advogado experiente com mais de 27 anos atuando no direito indenizatório, Ribeiro tampouco confia numa mudança de postura da marca de hipermercados francesa. “O Carrefour não vai mudar nada. Para o Carrefour mudar alguma coisa deveria gastar centenas de milhões de reais prá mudar o sistema deles”, frisou.

Segundo o advogado, para mudar a marca francesa precisaria diminuir a taxa de lucros. “Eles disseram que iam mudar o sistema de segurança. É uma mentira, porque agora virou só um plano piloto, em Porto Alegre”, disse numa referência ao anúncio da empresa de que substituiria os seguranças privados por funcionários contratados diretamente.

“Eles não querem mudar o sistema, porque mudar o sistema é diminuir o lucro deles. Uma empresa que faturou R$ 2,8 bilhões em 2020 não vai mudar o sistema para diminuir o lucro da empresa e o lucro dos acionistas”, enfatizou.

Ele contou como as negociações transcorreram ao longo de mais de cinco meses. “Desde novembro quando aconteceu o assassinato, a gente estava debatendo com os advogados do Carrefour, a gente sentiu uma operação muito forte, uma pressão muito forte dos advogados que representam o Carrefour no sentido de querer resolver logo, mas da forma deles, porque eles se acham donos do poder. E mais adiante nós descobrimos que os advogados eram só os instrumentos da empresa. A defensora Ana Carolina, que mediou o acordo, deixou escapar que os advogados haviam dito que quem não queria pagar mais era o CEO do Carrefour, e depois quando a gente não aceitou o acordo de um milhão depositado, aquela pressão. O milhão depositado já foi uma pressão enorme para cima da Milena. Com o milhão depositado foi junto a notícia para a mídia de que eu e o colega estávamos prevaricando , ou seja, prejudicando a nossa cliente e cobrando honorários dela, superiores ao que a OAB preconiza. Foi fogo. Foi bem duro”, lembrou.

Terminada a fase de negociação em defesa da viúva, agora Ribeiro e Barata buscarão na Justiça reparação pela injúria e difamação de ambos como profissionais. “A gente tem o dano moral provocado pelo Carrefour contra o meu nome e o nome do Carlos. Também ingressaremos com uma ação contra a Vector, a empresa de segurança”, concluiu.