S. Paulo – Carlos Barata e Hamilton Ribeiro, os advogados de Milena Freitas, viúva de João Alberto de Freitas, o homem negro assassinado barbaramente por seguranças do Carrefour de Porto Alegre, se mostram indignados com a postura da rede francesa e garantem que não desistirão de lutar até o fim por Justiça.

Em live/entrevista à Afropress, a convite do advogado e jornalista responsável, Dojival Vieira, e da qual participaram os advogados André Moreira, e João Carlos Almeida dos Santos  e Luiz Carlos Souza dos Santos, respectivamente, presidente e diretor da Frente Negra Gaúcha, Barata e Ribeiro disseram que o Carrefour quer equiparar a vida de um homem – barbaramente morto por seguranças a serviço da empresa – a vida da cadela Manchinha, também morta por seguranças na loja da Avenida dos Autonomistas em Osasco, em novembro de 2.018.

Por causa dos protestos de entidades de defesa dos animais, a empresa concordou em pagar R$ 1 milhão de reais destinados à causa animal, em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado com o Ministério Público de S. Paulo. É exatamente o mesmo valor que, segundo os advogados, o hipermercado quer pagar pela vida de João Alberto Freitas. “Nossa indignação e maior revolta é que há 20 dias, de forma matreira, chicaneira, esperta, o Carrefour se propôs a fazer uma proposta indenizatória. Eles mataram o Beto que nem um cachorro, a pontapés, a socos. A premissa do Carrefour é uma premissa cretina, é uma premissa de estrutura racista, colonialista, de enfiar goela abaixo das pessoas, o que estão acostumados a fazer”, afirmou Ribeiro, ao mencionar que a a empresa quer ofereceu R$ 1 milhão e cento e cinquenta mil pela vida de Beto Freitas.

Ele propôs, e o presidente da Frente Negra, assumiu levar para todas as entidades do movimento negro gaúcho, a proposta de que o dia 19 de cada mês seja dedicado à memória de Beto Freitas e a luta por Justiça e reparação, com a população, em especial, a população negra, promovendo boicote ao Carrefour.

DEPRESSÃO

Barata disse que a viúva está sofrendo de depressão profunda e só sai de casa acompanhada. “Não consegue dormir e está à custa de remédios. O caso dela tem de ter, a nosso ver, tratamento diverso daquilo que a jurisprudência brasileira vem consagrando. Não existe no ordenamento jurídico brasileiro, nem um caso parecido. Ela viu o marido ser morto. Enquanto era atacado Beto gritava: “Milena, me ajuda”, “Milena, me ajuda”, sendo a mulher impedida por funcionários do Carrefour de socorrer o marido. Eu não sei como essa mulher consegue se manter de pé. Não se pode comparar a morte de um ser humano com a morte de um cachorro. E se no final tivermos a mesma coisa que nos ofereceram agora, passados 10 anos, não tem problema. A gente tentou”, afirmou Barata.

O advogado André Moreira fez um histórico dos casos de violência praticados contra negros nas lojas do Carrefour por todo o país, incluindo o que ocorreu com o vigilante da USP, Januário Alves de Santana, o homem negro tomado por suspeito do roubo do próprio carro – um EcoSport – em agosto de 2009.  Moreira manifestou solidariedade e sugeriu aos colegas gaúchos que junto com os esforços junto a Justiça brasileira, acionem paralelamente a Justiça francesa, considerando o país de origem do Carrefour, inclusive o Tribunal Europeu de Direitos Humanos, Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA e Organização das Nações Unidas (ONU).

Confira, na íntegra, a entrevista transmitida ao vivo pela Afropress.

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