Porto Alegre/RS –  O advogado Carlos Alberto Barata Silva Neto, que defende Milena Freitas, a viúva do soldador João Alberto Freitas, nas negociações abertas com o Carrefour visando a indenização por danos materiais e morais pela morte do soldador, será entrevistado nesta segunda-feira (12/04), às 20h, pela Afopress.

Beto Freitas foi espancado até a morte por dois seguranças do Carrefour numa loja da Zona Norte de Porto Alegre, na véspera do Dia Nacional da Consciência Negra – 19 de novembro. As cenas rapidamente divulgadas pelas redes sociais ganharam espaço nos principais veículos de comunicação e no telejornalismo no Brasil e chocaram o mundo pelo grau de barbárie e violência empregadas.

A viúva recusou a oferta de R$ 1 milhão feita pelo Carrefour por considerar que o valor equivale ao que a rede francesa pagou pela morte da cadela Manchinha em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado com o Ministério Público de S. Paulo.

O dinheiro foi destinado a entidades protetoras de animais. “A vida de um homem está sendo igualada e nivelada pelos mesmos balizadores que a vida de um cachorro. Todas as mortes merecem respeito, mas não se pode tratar de forma igualitária a morte entre humanos e animais, mesmo que ambas tenham acontecido por puro preconceito. Será que se o “Manchinha” fosse um Poodle enfeitado e o Beto um loiro de olhos azuis, ambos ainda não estariam vivos aqui entre nós?”, questiona o advogado, que é formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e tem pós-graduação em Direito do Trabalho pela LFG.

A entrevista será veiculada na página da Agência no Facebook (https://www.facebook.com/dojival.vieira) e contará com a participação do advogado, André Moreira, militante do movimento negro capixaba e ativista em defesa dos Direitos Humanos, do editor de Afropress – jornalista e advogado Dojival Vieira -, de um representante da Frente Negra Gaúcha e de um representante da Educafro, que participarão como convidados.

Depois de recusar a proposta em nome da viúva, Barata disse ter encerrado as negociações, porém, ainda não entrou com ação judicial. Ele afirmou que a viúva pretende de R$ 10 a R$ 15 milhões de indenização por dano moral e material.

Nos Estados Unidos, familiares de George Floyd, o homem negro assassinado pela Polícia em circunstâncias análogas ao crime do qual Beto Freitas foi vítima, fizeram acordo com o Estado e receberam US$ 27 milhões – o equivalente a R$ 150 milhões.

Apesar da empresa já ter feito acordo com outros integrantes da família, inclusive, com o pai de Beto Freitas, Baratavconsidera que a indenização da viúva não pode se equiparar aos demais, inclusive, porque foi testemunha do assassinato e também foi impedida de socorrer o marido das mãos dos assassinos.

Além de Milena, Barata, que é sócio do Escritório Barata Silva & Barata Silva Advogados, também atua na defesa de Stephanye, enteada de Beto Freitas, e dos pais de Milena, que compartilhavam do mesmo endereço do casal.