O primeiro Afoxé surgiu em 1895 em Salvador, Bahia. Esta manifestação se caracteriza por ser autentica representação da cultura negra contemplando a religiosidade afro-brasileira, bem como a capoeira, o samba, e mais recentemente o hip hop.
Como já é tradição o Afoxé Omó Orunmilá abre os desfiles das Escolas de Samba de Ribeirão Preto no carnaval de rua da cidade.
O Afoxé Omó Orunmilá é organizado pelo Centro Cultural Orunmilá, com atuação na região de Ribeirão Preto desde 1994.
Gratuito
Desfilar no Afoxé não custa nada e para confirmar a tradição democrática da Cultura Negra qualquer pessoa pode participar. As inscrições são feitas pelo telefone (16) 3638-5463 ou na sede do Centro Cultural, na rua Rafael Defina, 43.
A comunidade negra tem o desfile carnavalesco do Afoxé como momento fundamental de sua luta já que nas apresentações o Grupo sempre faz manifestações exigindo seus direitos de igualdade e dignidade.
Centro Cultural Orùnmilá
Fundado em março de 1994, em Ribeirão Preto, no bairro do Tanquinho, o Centro Cultural Orùnmilá é uma entidade sem fins lucrativos que tem como função primordial a elevação da condição humana mediante a promoção da cidadania , da busca dos elementos da identidade sociocultural, da reconquista da dignidade e da auto – estima particularmente da população negra e demais integrantes das classes populares excluídos dos benesses da sociedade contemporânea e marginalizados por razões sócio-político-culturais.
Desde sua fundação, o Centro Orùnmilá, para alcançar o seu objetivo pautou-se por uma filosofia que prioriza a Educação, a Arte e a Cultura como elementos fundamentais para a superação de muitos dos problemas sociais, particularmente da violência e da criminalidade que envolvem crianças, jovens e adolescentes.
Assim, o Centro Orùnmilá procura questionar e oferecer novos elementos para contribuir com a superação de um processo de educação de caráter conservador e elitista que predominou no Brasil, sem questionamentos, durante muitos anos. Atualmente, alguns progressos foram registrados no cenário nacional mas não se consegue transformar repentinamente toda a cultura gerada durante séculos pelo conservadorismo. É necessário tempo, sabedoria e o envolvimento cada vez maior de toda a sociedade.
Para desenvolver o seu trabalho, o Centro Cultural Orùnmilá procurou assentar a sua fundamentação teórica e filosófica unindo as mais avançadas e progressistas posturas teórico-pedagógicas com a tradição milenar da cultura yorubana, concepção filosófica e religiosa calcada em princípios de profundo respeito pela pessoa humana, pela vida e pela natureza. Dessa forma, o Orùnmilá reúne as contribuições de teóricos como Paulo Freire, Muniz Sodré, Antônio Gramsci, Milton Santos e Juana Elbein dos Santos e a milenar sabedoria da nação Yorubá e seus fundamentos filosóficos.
Essa postura, embora ousada, não é inédita nem nova, experiências parecidas e vitoriosas já foram e continuam sendo realizadas no Brasil ressaltando, em particular, o trabalho da Comunidade Ilé Axé Opô Afonjá, da Bahia, cujo trabalho não só foi reconhecido como premiado nacional e internacionalmente.

Texto: Paulo César Pereira de Oliveira