Manhattan, Nova York – Quando o assunto e sobre o destino do ex-ditador da Costa do Marfim, Laurent Gbogbo, as opiniões não poderiam ser mais opostas. Para alguns, ele nao passa de um matador que comandou os assassinatos de dezenas de pessoas durante sua presidência entre 2000 e 2011, enquanto que para outros, ele é apenas um mártir que deve ser libertado.

Recentemente Laurent Gbogbo estava sentado na cadeira de réu na Corte Internacional de Haia, na Holanda, para ser julgado por crimes contra a humanidade ocorridos durante a disputa presidencial no país em 2010. Ele perdeu a reeleição no segundo  turno, mas recusou-se a entregar o cargo levando a Costa do Marfim a uma crise em que mais de 3 mil pessoas morreram até ele, finalmente, ser preso em 2011.

Este julgamento é uma lembrança do fosso que existe entre os seguidores do ex-presidente Laurent Gbogbo, e o atual, Alassane Ouattara, que foi eleito numa disputa sem qualquer suspeita de fraude ou violência, segundo observadores internacionais.

Atualmente a Costa do Marfim está a todo vapor. Abdijan, a capital, está cheia de construções por todos os lados. O atual presidente está investindo pesado em estradas, pontes e toda  uma infraestrutura fazendo com que  a economia do país siga bastante aquecida.

“Este é o julgamento da esperança”, disse Kone Baubakar, secretário geral do “Partido da Frente”, o partido politico fundado por Gbagbo. “Este tipo de julgamento pode levar anos. Por causa disto teremos ampla oportunidade para que a verdade apareça. A verdadeira questão é: “quando os caras maus do outro lado tambem serao julgados?”

Muitos analistas internacionais notam que Alassane Outtara tambem tem sangue nas mãos. Durante a disputa presidencial contra Gbagbo, seus partidários foram acusados de tortura, morte, incluindo o que ficou conhecido como o "massacre de Dukove", em que centenas de cidadãos foram mortos.

A Corte Criminal Internacional tambem esta investigando o lado de Outtara, de acordo com o relatório da organizacao “Human Rights Watch”. Por causa de dificuldades monetárias as investigações não estão caminhando com a rapidez como muitos gostariam.

Segundo a advogada Paolina Massida, que participa do julgamento de Gbagbo representando 726 vitimas relacionadas com a violencia de 2011, “este julgamento deve encontrar seu próprio caminho e mostrar para o mundo e não somente para a Africa que ele pode ser imparcial”.

Numa grande escala, julgamentos como estes são importantes para mandar uma mensagem para as lideranças mundiais colocando com isto um fim na impunidade.

Viva Nova York

Em 1989, na minha primeira visita a cidade de Washington não poderia deixar de visitar a Casa Branca que, eventualmente, se Donald Trump for eleito presidente podera ser chamada de “Trump Tower”.

Para minha surpresa, ao lado da imponente residencia presidencial uma senhora toda encapotada estava dentro de uma tenda acampamento. Concepcion Piccioto, uma imigrante espanhola que 4 anos antes tinha se alojado na calçada para protestar contra o armamento nunclear e contra as guerras. Ela ganhou fama mundial depois que apareceu no filme Farenheit 9/11 do director Michael Moore.

Concepcion Picciotto morreu no final de março. Seu acampamento ao lado da Casa Branca foi considerado o protesto politico mais longo da história do Estados Unidos. Nos anos todos que viveu ali jamais algum presidente se deu ao trabalho de falar com esta senhora.

 

 

Edson Cadette