Manhattan, Nova York – Por décadas, a economia dos países do continente africano, ou estavam em “ponto morto”, ou andavam em “marcha ré”, se comparados, lógicamente, a outras economias do planeta. A lamúria usual era o colonialismo dos países do Ocidente, não os déspotas que assumiram alguns países logo após a onda de independência que assolou o continente no final dos anos 50 e começo dos anos 60.

No Brasil, o partido do atual Governo, fundado no final dos anos 70, atribuía as nossas mazelas não a nossa herança escravocrata, mas as agências internacionais como o FMI, Banco Mundial, e até mesmo o imperialismo norte-americano.

Finalmente, a renda per capita dos africanos está crescendo no mesmo nível de outros países. Com o mundo capitalista atravessando uma de suas maiores reduções de pobreza na história, o continente africano parece que, finalmente, pode vangloriar-se de fazer parte desta corrente.

Algo impensável há 15 anos. Uma robusta classe média está surgindo no Oeste africano, de Gana a Nigeria, descendo até Angola. Até mesmo países com extrema pobreza como a Etiópia e Libéria estao avancando economicamente. Este crescimento e claro traz a tona perguntas que ha decadas vem amedrontando outras partes do planeta. Uma das perguntas mais importantes gira em torno da producao de alimentos.  Estes e outros desafios estao nas mentes de Melinda e Bill Gates da fundacao que leva o mesmo nome.

Este ano, a fundacao esta celebranco 15 anos. Um de seus objetivos mais importantes e certamente  financiar pesquisas no Continente Africano na area alimenticia.

Atualmente os africanos produzem uma  colheita de apenas 1/5 de suas plantacoes de milho. Alimentacao do planeta sempre foi um tema em discussao entre os especialistas. O reverendo e demografo ingles, Thomas Malthus, escreveu em 1798 que a producao alimenticia  crescia arimeticamente enquanto a populacao mundial crescia geometricamente, fazendo com que o futuro da populacao mundial nao fosse muito promissor. A inanicao sempre foi um problema serio em grande parte do Continente Africano.

Mesmo com enormes problemas de logistica, de armazenagem, e infraestrutura, a Africa sempre ofereceu um argumento contra o fatalismo.

Muitas partes do mundo estao num estado de torpor que ainda nao foi de todo ultrapassado desde a crise financeira de 2008. Paises como os EUA, Japao, e a Uniao Europeia vem lutando contra um crescimento baixo e iniquidade economica. Mudancas climaticas hoje em dia refutadas especialmente pelos paises que fazem parte dos grupo G-20 liderados por Brazil, Russia, India e China(os 4 patetas)  certamente irao causar danos irreparaveis num futuro nao muito distante.

Ao mesmo tempo que tudo isto vem acontecendo, a maioria dos paises esta aproveitando uma prosperidade econômica nunca vista na história mundial. A expectativa de vida subiu mais de seis anos desde 1990. “O mundo, na verdade, está melhorando bastante. Estamos entregando boas notícias em áreas como progresso econômico, e existe uma real possibilidade de se fazer muito mais”, disse recentemente Bill Gates.

Com toda certeza esta possibilidade existe. Mas, é claro, que como em qualquer outro tema, seja no continente africano, ou em outra região do planeta, as coisas precisarão ser feitas de modo diferente do que estamos acostumados. O progresso não  é inevitável somente porque aconteceu anteriormente.

Viva Nova York

As décadas de 1950 e 1960 ficaram marcadas nos EUA por enormes demonstrações, lutas e mudancas a favor dos Direitos Civis. Em 1954, a Corte Suprema norte-americana no histórico caso Brown vs  Departamento de Educação determinou que as escolas públicas, até então segregadas, era inconstitucional. Em 1957, foi enviada ao Congresso Nacional a primeira proposta  pelos Direitos Civis pelo entao presidente Dwight O. Eisenhower.

Os jovens ativistas James Earl Chaney, Andrew Goodman e Michael Schwerner, foram brutalmente assasinados em Mississippi, em 1964. No meio da década, apesar de legislação vigente, somente uma ínfima percentagem de cidadãos negros tinham direito a foto no Estado do Alabama.

O auge emocional e tambem político do movimento pelos Diretios Civis foram marcados por 3 marchas saindo da cidade de Selma no Estado do Alabama até a capital, Montgomery, no começo de 1965.

A primeira delas ocorreu no dia 7 de março, quando 600 pessoas lideradas por Hosea Willimas, da “Conferência Cristã de Liderança do Sudeste (SCLC em inglês) e o jovem ativista John Lewis, o líder do Movimento Estudantil do Comitê Coordenador de Não Violência (NCC em inglês) pacíficamente caminharam em direção a ponte de Selma Edmund Pettus.

Os soldados do Estado, armados com gás lacrimogêneo e cassetetes, massacraram os ativivistas num horrível confronto que, efetivamente, acabou com a marcha. John Lewis, que hoje é representante da Geórgia no Congresso, foi severamente machucado no confronto.

Liderados pelo pastor Martin Luther King Jr., no dia 9 de março, os ativistas voltaram às ruas, porém, desta vez, ao invés de tentarem ir até a capital do Estado marchando, simbólicamente foram somente até onde o ataque da polícia ocorreu dois dias antes. O grupo se ajoelhou, rezou e retornou para Selma.

No dia 17 de março, o então presidente Lyndon B. Johnson enviou para o Congresso o projeto de Lei para a aprovação da Lei dos Direitos Civis.

No dia 21 de março, agora com a proteção do Governo federal, 3.200 pessoas deixaram Selma pela terceira vez, alcançando a capital do Estado no dia 25 de março. O número de ativistas tinha aumentado para 25 mil, enquanto chegavam nas escadarias do Capitólio do Estado e ouviam Martin Luther King Jr. dizer: “Nunca houve um movimento na história dos EUA mais honorável e mais inspirador do que a perigrinação de clérigos, pessoas comuns de todas as etnias e fé “invadindo” Selma para enfrentar o perigo ao lado dos negros nesta batalha”.

Sephen Somerstein, um jovem estudante da faculdade de Nova York, e encarregado pela publicação do jornal estudantil “Eventos Principais”, deixou a cidade para ir até o Alabama para fotografar a marcha. Sua câmera, assim como de muitos fotógrafos profissionais, capturou toda a atmosfera local.

Sephen Somerstein fotografou pessoas paradas nas estradas e ruas enquanto a grande massa humana pacíficamente caminhava os quase 80 kilômetros de Selma até Montgomery. Nos rostos desta multidão é possivel ver esperança, dúvida, medo e, principalmente, alegria. Afro-americanos, finalmente, estavam sendo reconhecidos como cidadãos.

 

 

Edson Cadette