João Pessoa/PB – Estudantes africanos residentes na Paraíba realizarão nesta quinta-feira (14/06) em João Pessoa, a “Marcha a Favor da Justiça e Contra a Discriminação aos Estudantes Africanos”, em protesto às agressões que, segundo denunciam, vem sofrendo.
Os estudantes, na sua maioria oriundos de Angola, Burkina Faso, Cabo Verde, Guiné-Bissau e República Democrática do Congo, encaminharam Carta Aberta ao Embaixador de Cabo Verde, Daniel Pereira, pedindo uma reação diplomática conjunta dos diplomatas africanos no Brasil, condenando as práticas racistas e discriminatórias.
Eles, porém, destacam que os casos de violências são isolados e não representam a forma como, em geral, são recebidos e tratados pela maioria dos colegas brasileiros.
Nos últimos anos tem crescido o número de ataques racistas a africanos no Brasil. O caso mais recente foi o assassinato da estudante angolana, Zulmira de Souza Borges, assassinada no dia 22 de maio, quando se encontrava com amigos em um bar, no bairro do Brás, centro de S. Paulo, em ataque que teria tido motivação racista, uma vez que antes de disparar o assassino se referiu ao grupo como “macacos”.
O advogado da família da vítima, o ex-secretário de Justiça de S. Paulo, Hédio Silva Jr., afirmou em entrevista a Afropress que, “no último período vem aumentando as denúncias de violências praticadas contra africanos e que os fatos merecem acompanhamento por parte dos órgãos de inteligência e de segurança pública”. (Veja manchete).
A Marcha contra a discriminação terá como ponto de concentração o Centro/Lagoa, às 08h30. De lá a manifestação segue em direção a Praça Três Poderes.
Veja, na íntegra, a Carta dos Estudantes Africanos encaminhada ao Embaixador de Cabo Verde.
“Ao Senhor Embaixador,
A Comunidade acadêmica residente em João Pessoa – Paraíba, no âmbito do programa de estudantes de graduação – PEC-G, constituído em sua maioria pelos estudantes: cabo-verdianos, guineenses, angolanos, burquinábes e congoleses, vem através desta endereçar-lhes os melhores cumprimentos ao tempo que se digne cumprir suas funções com a mais alta estima, respeito e honra.
Manifestamente endereçamo-lo a referida carta, cujo teor reflete à situações recorrentes que implicam o bem-estar coletivo dos estudantes, tendo em vista inúmeros casos desconfortantes já observados, conseqüência de atos racistas e/ou discriminatórios, perpetradas no decurso do tempo, que resultam em agressões, racismos, preconceitos, difamação ou ate morte, como se pode lucidar os casos do estudante Nigeriano em Maranhão, dos estudantes Congoleses em Porto Alegre, da estudante Guineense na Paraíba, da ameaça e do ateamento de fogo em residencias dos estudantes africanos em Brasília, e a mais recente morte da estudante Angolana em São Paulo.
Situações essas, que nos deixam perplexos e induzidos a profunda reflexão, contrária a inércia ou omissão das autoridades competentes no julgamento dos casos. O que reforça, no conseguinte, o nosso “medo” em relação a radicalização de tais cenas, em decorrência da impunidade ou ate mesmo da trivialidade da justiça local em relação à situações pró-eminentes.
Diante da tamanha insatisfação quanto aos atos supra-mencionados, nós estudantes deste programa PEC-G, decidimos convergir as vozes, no sentido de exortar as entidades diplomáticas e/ou representativas, a abraçarem a causa e a se manterem solidários e atentos a essa problemática, no propósito de interceder com recursos necessários, junto as autoridades competentes, com o intuito de salvaguardar vidas e de contribuir de forma inequívoca, para o estabelecimento do clima de paz, harmonia, civilidade e respeito mutuo entre os povos.
Contudo, embora haja certas situações eminentemente deturpadoras do bom convívio, protagonizadas de forma isolada, porém merecedoras da atenção, queremos ressaltar a nossa satisfação e gratidão em relação ao Brasil e povo Brasileiro, salientando a imperiosa necessidade da cooperação multilateral, nos moldes social, cultural, intelectual etc que nos é e sempre será bem-vindo.
A interação Brasil – Africa, sempre teve valores incontestáveis e profícuos de contornos inestimáveis em todas as suas dimensões, sem prejuízo das partes.
Espera-se que esta cooperação e interação seja cada vez mais frutífera em matéria de solidariedade, Direitos Humanos, cumplicidade e respeito mútuo e amor ao próximo.
Desde já agradecemos a atenção de Vossa Senhoria, no cumprimento de suas atribuições”.

Da Redacao