S. Paulo – A Afropress – Agência Afroétnica de Notícias – a única no Brasil com conteúdo jornalístico focado na temática étnicorracial brasileira na denúncia e combate ao racismo e na defesa dos direitos civis da população negra fecha o ano de 2013 batendo um recorde: de 1º de janeiro a 31 de dezembro deste ano, 369.270 pessoas visitaram o site, uma média diária de 1.011,70, de acordo com o gráfico de sessões da Locaweb, a empresa em que a página está hospedada.

O relatório mostra a atividade de sessões de visitantes na página. Uma sessão é definida como uma série de cliques na Afropress durante um determinado intervalo de tempo e é iniciada quando o visitante chega ao site e finaliza quando fecha o navegador ou permanece inativo acima do tempo limite.

O gráfico de impressões de páginas – que mostra a atividade de impressões de páginas – registrou 1.793.857, uma média diária de 4.805,20. A Agência é lida no Brasil e em vários países no mundo, especialmente, na Europa, África, América do Sul e Estados Unidos.

Salto

O salto no número de acessos e impressões é resultado, segundo o editor, jornalista Dojival Vieira, do investimento feito no ano passado, quando o layout da página foi modernizado, com espaço para mais fotos e maior diversidade das matérias. A página no Facebook pulou de cerca de 200 para 2.452 curtidores. O objetivo é atingir 10 mil.

Ele lembra que a Afropress é um projeto que se mantém há oito anos, independente de governos e de partidos, buscando fazer jornalismo com foco no tema.

E destaca a realização do I Encontro de Leitores, ocorrido em novembro, numa parceria com o SOS Racismo, Comissão de Direitos Humanos e Comissão da Verdade Rubens Paiva, sob a presidência do deputado Adriano Diogo (PT/SP).

Compromisso

O editor destaca as dificuldades que vem enfrentando nos oito anos de existência de Afropress. “Primeiro, os neonazistas nos atacaram sistematicamente por quase seis anos. Agora, o que temos é que em pleno Estado Democrático de Direito sofremos dois tipos de ataques: de um lado, de uma SEPPIR, que é um órgão do Estado, que se tornou um gueto comprometido com a defesa dos interesses de um grupo, avessa a qualquer contato com  a opinião pública, de costas para a sociedade e para a população negra e o povo brasileiro. Trata-se de um grupo que acha que chegou ao poder e não deve satisfações a mais ninguém. A Presidente Dilma deve estar atenta a este tipo de postura nefasta que divide a todos e enfraquece a causa. O segundo é que certos setores reacionários da sociedade passaram a tentar usar o Judiciário para tentar silenciar o veículo”, afirmou.

Segundo o jornalista essas tentativas são óbvias em ações movidas por um delegado de Vitória do Espirito Santo [o nome não é revelado porque o veículo está sob censura], e por um conhecido personagem da extrema direita carioca, que está processando a Afropress pelo fato de, em 2010, a Agência ter publicado uma matéria noticiando proposta do referido personagem sugerindo emenda à Lei Áurea visando garantir direitos aos herdeiros de proprietários de escravos. A proposta foi rechaçada pela pelo presidente da Comissão Participativa, deputado Paulo Pimenta (PT/RS). O nome do autor da ação contra a Afropress não é revelado também porque o veículo está sob censura.

O advogado da Afropress, neste caso, é o ex-Secretário de Justiça de S. Paulo e diretor executivo do CEERT, Hédio Silva Jr. No caso de Vitória, o advogado é o militante do movimento negro e ativista dos direitos humanos, André Luiz Moreira. 

“São situações que violam os mais elementares direitos garantidos pela Constituição Brasileira. Em 2014, vamos fazer uma campanha para chamar a atenção e pedir a solidariedade da sociedade brasileira para tais aberrações, que desrespeitam os mais elementares direitos em pleno século XXI. Como é possível que estejamos sendo processados por noticiarmos a iniciativa de alguém que acha que os herdeiros de proprietários de escravos devem ter seus direitos garantidos, propondo a revisão da Lei Áurea? Nós queremos continuar acreditando na Justiça.” acrescdenta o editor.

O jornalista destacou o apoio dos deputados Adriano Diogo, do PT/SP, e de Leci Brandão, do PC do B/SP, além da chefe da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria de Justiça do Governo do Estado, que é do PSDB, professora Elisa Lucas Rodrigues que, de forma objetiva e concreta, apoiaram o veículo mantendo banners no espaço destinado à publicidade.

Ele também fez questão de agradecer aos milhares de leitores, aos  colunistas, aos colaboradores, no Brasil e no exterior, e aos correspondentes, especialmente, a Edson Cadette, que há seis anos é correspondente em Nova York, e a Alberto Castro, que colabora de Londres. “A  Afropress somos todos nós, negros e não negros, que lutamos por um Brasil sem racismo, com igualdade e Justiça para todos”, afirmou.

Da Redacao